Victor J. Blue/The New York Times
Victor J. Blue/The New York Times

Ataque no Afeganistão pode ter sido 'crime de guerra', alerta ONU

Organização classificou bombardeio a hospital administrado pela entidade Médicos Sem Fronteiras como 'inaceitável'; em nota, presidente dos EUA, Barack Obama, disse que vai aguardar investigações antes de fazer um julgamento sobre o 'incidente'

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo

03 Outubro 2015 | 15h35

Atualizado às 23h26

GENEBRA - A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que os ataques contra um hospital no Afeganistão administrado pela entidade Médicos Sem Fronteiras poderiam ser um "crime de guerra" e qualifica o bombardeio de "inaceitável". 

"Esse acontecimento profundamente chocante deve ser investigado de forma imediata, profunda e independente, e os resultados devem ser divulgados ao público", disse o alto comissário de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra'ad al Hussein, em Genebra. "A gravidade do incidente é ainda maior pelo fato de que, se for considerado intencional pela Justiça, um ataque a um hospital pode ser considerado um crime de guerra", alertou. 

A ONU preferiu não citar nominalmente a responsabilidade dos Estados Unidos e, em sua declaração, apenas alertou que a investigação precisaria ser levada à cabo contra os "responsáveis". 

Por meio de um comunicado divulgado pela Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ofereceu suas “profundas condolências” pelos médicos e outros civis mortos. Obama disse ainda que vai aguardar os resultados das investigações antes de fazer um julgamento sobre as circunstâncias do “incidente”.

O jordaniano Zeid, por sua vez, apelou por uma "ampla e transparente investigação" sobre o que teria ocorrido no hospital de Kunduz.

"Estrategistas internacionais e afegãos têm a obrigação de respeitar e proteger civis a todos os momentos, e estruturas médicas e seus funcionários são alvos de uma proteção especial", insisitu Zeid. "Essas obrigações são aplicadas independentemente de qual força aérea tenha sido usada e seja qual for o local do ataque", disse. 

Segundo a ONU, a entidade Médicos Sem Fronteiras indicou a forças pró-governamentais o local exato do hospital. "Ainda que ainda tenha de ser estabelecido se o hospital ou a área ao lado foi o alvo do ataque, os bombardeios continuaram a atingir a região por 30 minutos depois que as forças pró-governamentais foram informadas de que estavam ameaçando uma estrutura médica", indicou Zeid. 

Mesmo sem citar os Estados Unidos, a ONU indicou em um comunicado que porta-vozes do governo americano foram registrados declarando que aviões norte-americanos estavam realizando uma operação na região quando o hospital foi atingido. 

Para Zeid, a investigação em relação ao incidente precisa começar imediatamente e terá de ser "independente, imparcial, transparente e eficiente". 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.