AP Photo/Ebrahim Noroozi
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EI assume autoria de atentado que matou 13 no Irã, maior nação xiita

Apesar de o grupo terrorista, que segue a linha sunita do Islã, ter reivindicado a execução do ataque ao Parlamento e ao mausoléu de Khomeini, a Guarda Revolucionária culpou Arábia Saudita e EUA

O Estado de S.Paulo

07 Junho 2017 | 04h06
Atualizado 08 Junho 2017 | 01h32

TEERÃ - A capital iraniana sofreu nesta quarta-feira, 7, um duplo ataque terrorista, que resultou em 13 mortos e 40 feridos. Homens-bomba armados com pistolas e fuzis atacaram o Parlamento e o mausoléu do aiatolá Ruhollah Khomeini, o terceiro lugar mais sagrado da república islâmica. A autoria da ação foi reivindicada pelo Estado Islâmico (EI), o que coloca muçulmanos xiitas na mira do grupo terrorista, que segue a linha sunita do Islã.

 A Guarda Revolucionária iraniana culpou a Arábia Saudita e os Estados Unidos, mesmo após a reivindicação do grupo terrorista, que tem levado crédito por uma sequência de ataques nas últimas semanas. A capital não sofria grandes ataques a bomba desde a violência pós-revolucionária nos anos 80. 

Em um comunicado, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que “reza” pelas vítimas do ataque, acrescentando que “países que patrocinam o terrorismo correm o risco de se tornarem vítimas do mal que eles promovem”.

Se confirmada a autoria, terá sido o primeiro atentado bem-sucedido no Irã, um país predominantemente xiita tratado pelos militantes sunitas como uma “nação de hereges”. O regime iraniano, comandado pelo pragmático Hassan Rohani que acabou de se eleger para um segundo mandato, apoia forças que combatem o EI na Síria e no Iraque.

O ataque agrava ainda mais as já altas tensões no Oriente Médio. Após a visita do presidente de Trump à Arábia Saudita, diversas nações sunitas aliadas dos sauditas romperem as relações e isolaram a rica monarquia no Catar, o único país no Golfo Pérsico que mantém relações com o Irã. 

Das 13 vítimas do ataque, 11 morreram no prédio do Parlamento e uma no mausoléu de Khomeini, pai da Revolução Islâmica, em 1979. Todos os seis terroristas da ação – cinco homens e uma mulher – foram mortos. Segundo a mídia oficial iraniana: quatro no Parlamento e dois no mausoléu. 

A audácia do ataque e o tempo que levado para contê-lo, cerca de seis horas, sugerem que os seguranças iranianos não estavam preparados. Oficialmente, líderes iranianos procuraram reduzir o impacto da ação, enfatizando que o prédio do Parlamento nunca havia sido invadido. 

“A nação iraniana está seguindo adiante e avançando, esses eventos ocorridos hoje não afetarão nossa determinação – todos devem saber disso”, afirmou o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. 

Em um sinal de que as forças de segurança de elite encontraram problemas para conter a situação é que um dos terroristas conseguiu deixar o Parlamento por uma hora durante o cerco, atirar em pessoas nas ruas de Teerã e retornar ao prédio, onde pelo menos um de seus comparsas detonou um colete com explosivos no quarto andar do prédio. Ao mesmo tempo, os outros terroristas atiravam das janelas do Parlamento. 

O ataque ao mausoléu, a cerca de 16 quilômetros do Parlamento, começou um pouco antes das 11 horas (3h30 de Brasília) e durou cerca de uma hora e meia, segundo a mídia estatal iraniana. 

Dois terroristas entraram pela ala oeste do grande complexo, onde fica o túmulo de Khomeini, destino de milhares de turistas e peregrinos religiosos o ano todo. De acordo com agências locais, pelo menos um dos terroristas detonou seus explosivos na entrada do local. 

O ataque, o primeiro em Teerã em mais de uma década, ocorreu apenas duas semanas após o presidente Trump, juntamente com a Arábia Saudita e aliados, defender o isolamento do Irã. Teerã tem tentado reduzir a importância desse esforço, alegando que eles se encontraram em Riad, capital saudita, como o propósito de Trump vender armas para a Arábia Saudita. Trump fechou com o rei Salman o maior contrato de vendas de armas da história americana, estimado em US$ 110 bilhões. 

Em análise publicada pelo site Al Monitor, o analista iraniano Rohollah Faghihi disse que os ataques fizeram os iranianos reviverem o terror da primeira década após a Revolução Islâmica. Nesse período, o grupo terrorista MEK matou diversos cidadãos e membros do governo, incluindo 72 figuras do alto escalão da revolução, assim como o presidente Mohammed Ali Rajai e o primeiro-ministro Mohammad Javad Bahonar, em 1981.

Reações 

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia condenou em um breve comunicado os atentados em Teerã. "Fomos informados com tristeza que a Assembleia Islâmica do Irã e o mausoléu do aiatolá Khomeini sofreram nesta manhã um ataque terrorista e há pessoas que morreram e ficaram feridas", diz o comunicado.

"Condenamos estes ataques atrozes, desejamos que Deus tenha na sua glória os que perderam a vida e transmitimos as nossas condolências tanto ao povo do Irã como ao governo", aponta o comunicado.

O governo sírio afirmou que os atos terroristas em Teerã não farão a Síria e o Irã desistirem de lutar contra o terrorismo, em um comunicado publicado na agência de notícias oficial Sana. "A Síria adverte aos países que estão por trás de tais ações das consequências de continuar financiando e armando as organizações terroristas e da expansão do extremismo e da ideologia 'takfiri' (muçulmano radical) pelo envolvimento na segurança da região e do mundo", disse o Ministério de Assuntos Exteriores do país. / NYT, EFE, AFP e REUTERS

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