Ataques dos EUA atingem residências e matam civis

Aviões norte-americanos bombardearam nesta quinta-feira o centro de Cabul, capital do Afeganistão, e moradores disseram que um ataque que atingiu residências deixou pelo menos cinco civis mortos - sendo uma garota de 16 anos e quatro membros de uma mesma família que morava perto de uma unidade de tanques do Taleban. Em Kandahar, quartel-general do Taleban, os Estados Unidos atacaram uma aldeia nos arredores da cidade, onde nos últimos dois dias o líder supremo afegão, mulá Mohamed Omar, fez pregações públicas. Os ataques começaram durante a madrugada, mas não foram tão intensos como nos dias anteriores. Pela primeira vez em 12 dias de bombardeios a organização Al-Qaeda, liderada pelo milionário saudita Osama bin Laden, admitiu a morte de um de seus membros e ferimentos em dois de seus aliados, um chinês e um iemenita. Segundo o Centro de Vigilância Islâmico, com sede em Londres, foi morto no domingo o egípcio Abu Baseer al-Masri, um dos integrantes da jihad islâmica do Egito e veterano no grupo de Bin Laden. O centro alegou ter recebido um informe da Al-Qaeda. Al-Masri estava há dez anos no país e era um estreito colaborador de Ayman al-Zawahiri, braço direito de Bin Laden. Em Cabul, moradores afirmaram que pelo menos cinco civis morreram, inclusive quatro membros de uma família. Vizinhos disseram que uma bomba caiu sobre suas casas em Quilazaman Khan, área da cidade que fica perto de uma unidade de tanques do Taleban. Um escritório da emissora de TV a cabo CNN, em Kandahar, também foi bombardeado, segundo a própria emissora - mas a tevê não mantém mais pessoal no país porque o Taleban expulsou todos os correspondentes ocidentais. Um porta-voz de Omar afirmou à TV árabe por via satélite Al-Jazeera que 400 civis morreram desde o início dos bombardeios há 12 dias e, no total, de 600 a 900 afegãos foram mortos. Esses dados não foram confirmados e são contestados pelos EUA, que acusam o Taleban de exagerar o número de vítimas. Em entrevista à imprensa, em Washington, o secretário de Defesa dos EUA, Donald H. Rumsfeld, não descartou a possibilidade de que alguns dos principais chefes da Al-Qaeda tenham morrido. "Pode ter ocorrido", afirmou, acrescentando não ter certeza. "Mas seria bom para o mundo", disse ele. O Pentágono informou que passaram a ser empregados nos ataques aviões de combate F-15E, bem como aviões de espionagem RQ-1 Predator, comandados a distância. Os norte-americanos também estão inundando o país de folhetos exortando os soldados do Taleban a se renderem. Rumsfeld diz que isso "está dando resultado e vários combatentes estão desertando" - o Taleban nega e o fato não foi confirmado por fontes independentes. Fontes militares norte-americanas garantem que as forças especiais (que incluem tropas) ainda não entraram em ação e se encontram no porta-aviões Kitty Hawk, no Oceano Índico. Por sua vez, a emissora de TV britânica BBC informou hoje ter ouvido relatos de diferentes partes do Afeganistão sobre atritos entre as tropas do Taleban e as forças da Al-Qaeda - formadas por militantes islâmicos vindos de vários países, predominantemente árabes. Informes de Jalalabad e Kandahar dão conta de forte ressentimento entre os afegãos contra dirigentes da Al-Qaeda, que se comportam como se fossem os líderes do país. Em Mazar-i-Sharif, no norte, estão sendo travados violentos combates entre o Taleban e a oposicionista Aliança do Norte. O regime afegão - que controla mais de 90% do território - lançou uma contra-ofensiva contra as várias unidades da aliança que tentam dominar a cidade. Essa resistência demonstra que a aliança não está a ponto de tomar Mazar-i-Sharif, como vinha alardeando nos últimos dias. Leia o especial

Agencia Estado,

18 Outubro 2001 | 20h52

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