Atenções em Honduras se voltam para comparecimento às urnas

Simpatizantes do presidente deposto, Manuel Zelaya, prometem não votar no domingo.

Rodrigo Durão Coelho, BBC

27 Novembro 2009 | 16h36

Há dois dias das eleições gerais, as atenções em Honduras estão voltadas para o comparecimento às urnas.

Com a campanha eleitoral encerrada, a maior parte dos meios de comunicação hondurenhos, pró-governo interino, estimulam a população a comparecer às urnas.

Já a oposição prega, desde o fracasso das negociações para a restituição de Zelaya, o boicote do pleito. O principal jornal oposicionista, El Libertador, traz nesta sexta-feira a manchete No Votar! (não votem) na capa e argumenta a favor da abstenção em praticamente todas as suas 63 páginas.

O chefe da resistência contra o governo interino, Carlos Reyes, anunciou nesta sexta-feira a convocação de uma marcha para o dia das eleições, reunindo centrais sindicais, estudantes, organizações indígenas, de camponeses e políticos progressistas, todos contrários a realização da votação.

Analistas acreditam que um grande comparecimento, pelo menos maior do que os 55% registrados nas eleições de 2005, é fundamental para a legitimação do processo eleitoral e seu reconhecimento internacional.

Diversos países, entre eles o Brasil, dizem que não reconhecerão o resultado do pleito, com o argumento de que isso seria "legitimar o golpe" que tirou Manuel Zelaya do poder há seis meses.

Os Estados Unidos, entretanto, afirmaram que vão reconhecer o resultado das eleições.

'Vergonhoso'

"Não vou votar, seria dizer que o golpe (de Estado) é correto, quando é vergonhoso", disse à BBC Brasil o vendedor ambulante de pães em Tegucigalpa José Octavio, partidário de Zelaya.

Sua esposa, que varria a calçada próxima, completa que "acima de tudo, temos medo. De violência, explosões, tudo... ficaremos quietos em nossas casas".

"Acho que bem menos gente vai votar desta vez", diz o jornaleiro Pedro. "Os simpatizantes de Zelaya vão boicotar em massa as eleições."

Ele diz que não se envolveu na disputa dos últimos meses entre Zelaya e o governo do interino Roberto Micheletti, mas votará no domingo.

Congresso

Manuel Zelaya foi destituído à força da Presidência pelas Forças Armadas em junho e enviado ao exterior.

A medida foi apoiada pelo Congresso e pela Suprema Corte que o acusaram de violar a Constituição e de se recusar a cumprir a determinação judicial para suspender um plebiscito sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte.

A deposição foi condenada por diversos países, entre eles o Brasil e os Estados Unidos, além de organizações como a OEA e a União Europeia.

Zelaya voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada do Brasil, onde está desde o mês de setembro.

Na próxima quarta-feira, como parte de um acordo intermediado pelos Estados Unidos, o Congresso deve votar se Zelaya voltará a ocupar a presidência até o final de seu mandato, em 27 de janeiro.

Na quinta-feira, a Suprema Corte de Justiça deu seu parecer sobre a questão, aconselhando os parlamentares a rechaçar a restituição do mandatário eleito.

Muitos países consideravam a volta de Zelaya ao poder como pré-requisito para a legitimidade das eleições.

Na última quarta-feira, Micheletti afastou-se do cargo provisoriamente, podendo voltar ao poder dependendo da decisão do Congresso no dia 2. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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