Mohamed Hossam / EFE
Mohamed Hossam / EFE

Atentados em duas igrejas cristãs no Egito deixam mais de 40 mortos e centenas de feridos

Grupo jihadista Estado Islâmico assumiu autoria dos ataques realizados no dia em que os cristãos do país celebravam o Domingo de Ramos

O Estado de S.Paulo

09 Abril 2017 | 06h08
Atualizado 09 Abril 2017 | 18h00

CAIRO - Pelo menos 44 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas em dois atentados a bomba em duas igrejas cristãs coptas no Egito neste domingo, 9. O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) assumiu autoria dos ataques, que ocorreram uma semana antes do dia em que os cristãos celebram a Páscoa e no mesmo mês em que o papa Francisco tem programada uma visita ao país. O presidente egípcio, Abdel-Fattah Al-Sissi, anunciou um "estado de emergência por três meses" no país.

A primeira bomba, em Tanta - cidade localizada a menos de 100 quilômetros do Cairo -, destruiu o interior da Igreja de São Jorge e matou mais de 20 pessoas, segundo o Ministério da Saúde do Egito. O segundo ataque, realizado poucas horas depois por um homem-bomba em Alexandria, na catedral de São Marcos, atingiu o local histórico do papa copta, matando mais de 10 pessoas, incluindo três policiais.

O papa Tawadros estava no edifício no momento da explosão, mas não ficou ferido, de acordo com o Ministério do Interior. Os atentados ocorreram em um dia considerado importante para a minoria cristã no país - cerca de 10% da população -, quando é celebrado o Domingo de Ramos, que marca o início da Semana Santa. 

Dois soldados do EI coordenaram os ataques suicidas, de acordo com informações de um site de propaganda jihadista. A explosão em Alexandria foi realizada por um homem identificado como Abu Al-Baraa Al-Masri, e a de Tanta, por Abu Ishaaq Al-Masri.

Em dezembro de 2016, um grupo filiado ao EI reivindicou responsabilidade por um atentando em uma igreja no Cairo que matou cerca de 30 pessoas, a maioria mulheres, assim como uma série de assassinatos na Península do Sinai, causando a fuga dos moradores para áreas mais seguras do país.  

"O terrorismo atingiu o Egito novamente, desta vez no Domingo de Ramos. Outro detestável ataque contra todos os egípcios", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Abu Zeid, em sua conta no Twitter. "Sofremos a perda trágica e dolorosa de vidas egípcias. Isso é uma tentativa fracassada contra a nossa unidade", completou.

O grande xeque Ahmed el-Tayeb, chefe do Al-Azhar do Egito - principal centro de aprendizagem no Islã sunita - condenou os atentados, qualificando-os como um "ataque terrorista desprezível que tinha como alvo a vida de inocentes.

Segurança. Israel advertiu neste domingo seus cidadãos que moram no Sinai para que abandonem a região "imediatamente". "O sangrento ataque reflete mais uma vez a capacidade terrorista do EI", indicou o departamento antiterror do governo israelense em um comunicado. "Dada a gravidade da ameaça, o departamento aconselha a todos os israelenses que estão no Sinai que saiam imediatamente e voltem a Israel." / REUTERS, EFE e AFP

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