Atentado na Caxemira mata pelo menos 31

No pior ataque em dois anos na parte da Caxemira controlada pela Índia, pelo menos 31 pessoas morreram e 75 ficaram feridas hoje, quando supostos militantes islâmicos explodiram um carro-bomba na frente do legislativo estadual, e então invadiram o prédio a tiros. O tiroteio que se seguiu entre os invasores e forças de segurança terminou cerca de sete horas depois, com a morte de dois dos rebeldes. A maioria dos mortos foi vítima do carro-bomba, incluindo seu motorista. Um dos grupos rebeldes islâmicos lutando pela independência do Estado de Jammu e Caxemira assumiu responsabilidade pelo ataque. A polícia afirmou que o atentado poderia ter tido conseqüências muito piores se os atacantes tivessem percebido que os legisladores estavam reunidos num prédio vizinho. Os 100 funcionários de baixo escalão ainda trabalhando no prédio do legislativo, como secretários e assessores, escaparam ilesos durante o tiroteio. O número de mortos no ataque foi o mais alto em Jammu e Caxemira desde 1999, quando 35 hindus foram massacrados por militantes enquanto peregrinavam até uma caverna que eles consideram sagrada, numa montanha no Estado. Por 12 anos, mais de uma dúzia de grupos militantes islâmicos têm lutado pela independência de Jammu e Caxemira, o único Estado na Índia, de maioria hindu, com população predominantemente muçulmana. Dezenas de milhares de pessoas já morreram na violência. Hoje, os rebeldes levaram um veículo roubado para o prédio da assembléia e o explodiram por volta das duas da tarde (horário local) em Srinagar, a capital de verão do Estado. O motorista morreu na explosão, mas dois outros ativistas vestidos com uniformes da polícia abandonaram o veículo momentos antes e entraram no legislativo. Disparando suas armas e lançando granadas de mão, eles entraram em confronto com forças de segurança, afirmou R.K. Jala, o superintendente da polícia. O grupo militante Jaish-e-Mohammed, baseado no Paquistão, assumiu responsabilidade pelo ataque num telefonema à Associated Press em Srinagar. O grupo foi organizado por um líder radical paquistanês, Massud Azhar - um dos três homens libertados de prisões indianas em 1999, em troca de um avião seqüestrado da Índia e seus passageiros, que foram levados para o Afeganistão. O ataque de hoje foi o mais sangrento desde os atentados terroristas de 11 de setembro em Nova York e Washington, que têm sido atribuídos ao exilado saudita Osama bin Laden, que está abrigado no Afeganistão. Autoridades indianas esperavam que militantes pró-Taleban combatendo na Caxemira fossem retornar ao Afeganistão para ajudar a defendê-lo de possíveis ataques militares dos EUA. Mas a polícia noticiou, no fim de semana, que poucos rebeldes estavam se movendo e que os ataques deles contra as forças militares indianas haviam declinado desde 11 de setembro. Carro-bomba O carro-bomba, que estilhaçou vidraças de um hotel próximo e de mais de duas dúzias de lojas, deixou cerca de 12 corpos espalhados pela rua na frente da assembléia. Os terroristas seqüestraram um veículo do departamento de comunicação federal e libertaram o motorista momentos antes do ataque, afirmou a polícia. Mas, ao assumir responsabilidade, o grupo disse que havia alugado um táxi. Os grupos militantes não reconhecem legitimidade do legislativo, que foi criado pelo governo indiano. Muitos habitantes de Caxemira boicotaram a eleição que escolheu os legisladores. O Paquistão apóia abertamente militantes lutando em Jammu e Caxemira. A Índia acusa o Paquistão de igualmente armá-los e treiná-los. O Paquistão condenou o atentado de hoje. "Esse ato de terrorismo é especialmente repreensível se, como parece, visa denegrir a luta legítima do povo da Caxemira por seu direito a autodeterminação", afirmou o Ministério do Exterior num comunicado.

Agencia Estado,

01 Outubro 2001 | 16h05

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