Broward County Sheriff / REUTERS
Broward County Sheriff / REUTERS

Atirador que matou 17 em escola treinou com grupo extremista branco

Ataque em colégio da Flórida foi o 8º em uma escola americana este ano, mas é a primeira vez que pode haver uma ligação com supremacistas; FBI ainda não confirmou informação

O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2018 | 16h22

PARKLAND, ESTADOS UNIDOS - O atirador Nikolas Cruz, que matou 17 pessoas na escola de ensino médio Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Flórida, era membro do grupo supremacista branco República da Flórida e participou de treinamento paramilitar com a organização em novembro, em Tallahassee, no norte do Estado. A informação foi dada nesta quinta-feira, dia 15, pelo próprio líder do grupo, Jordan Jereb. O FBI não confirmou a ligação.

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O ataque a tiros no colégio Marjory Stoneman Douglas, na quarta-feira, foi o 8.º em uma escola americana este ano – quase um atentado por semana, segundo o Washington Post. Embora ainda não confirmada oficialmente, esta poderia ser a primeira vez que há uma ligação de um atirador com uma milícia nacionalista branca. 

Jereb reconheceu nesta quinta-feira, dia 15, que “Cruz foi recrutado” pelo grupo, mas que “agiu por sua conta e é o único responsável pelo que fez”. O grupo, de acordo com o líder, luta para “transformar a Flórida em um Estado branco”. No site da organização há posts sobre “como espancar um antifascista” e “como abater um comunista solitário”. Há também os dez mandamentos de um militante, entre os quais “lealdade eterna ao República da Flórida”, “à raça branca” e “desejo de entrar em combate”. Em um post sobre “itens essenciais”, o primeiro é um kit de primeiros socorros, o segundo, uma arma, de preferência “uma de bom calibre”.

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Sinais de alerta. Nesta quinta-feira, dia 15, o youtuber americano Ben Bennight disse que apresentou uma denúncia ao FBI em setembro de 2017 por um comentário feito por um jovem com o mesmo nome do responsável pelo massacre na Flórida. No comentário, o usuários “nikolas cruz” dizia que se tornaria um “atirador profissional contra escolas”. Em comunicado, o FBI reconheceu que foi alertado, que os agentes realizaram uma “revisão em bases de dados e outras checagens, mas não foram capazes de identificar a pessoa que publicou o comentário”.

Havia outros sinais indicando que Cruz poderia cometer um ataque como o de quarta-feira. Ele apresentava problemas psicológicos e comportamento violento desde que seu pai adotivo, Roger Cruz, morreu, em 2010. Ele e a mulher, Lynda, tinham adotado Cruz e seu irmão biológico, Zachary. Depois da morte do pai, Nikolas Cruz se tornou problemático. Segundo vizinhos, várias vezes a polícia foi chamada para impedir agressões cometidas por ele. Em razão de episódios de violência, ele foi expulso do colégio.

O prefeito do condado de Broward, Beam Furr, disse à CNN que Cruz havia recebido tratamento em uma clínica de saúde mental por um tempo, mas que deixou de frequentar o local havia mais de um ano. “Nós tentamos cuidar deles, mas, neste caso, não encontramos maneira de lidar com a situação”, afirmou. Fora do radar dos serviços de assistência social, Cruz passou a usar a internet para aprender sobre armas e entrar em contato com grupos extremistas.

Em novembro, Lynda Cruz, de 68 anos, morreu de pneumonia. Cruz e o irmão foram morar com amigos. Meses antes, ele comprou legalmente um fuzil AR-15 em uma loja de Broward. Na Flórida, maiores de 18 anos sem ficha criminal podem comprar armas. Foi com a AR-15 que ele matou 17 pessoas. Cruz está preso e foi acusado nesta quinta-feira, dia 15, de 17 homicídios premeditados. Ele pode ser condenado à morte. 

Nesta quinta-feira, dia 15, em seu primeiro pronunciamento depois do ataque, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país precisa mudar seu comportamento em relação ao tratamento de saúde mental. “Estamos empenhados em trabalhar com líderes estaduais e locais para ajudar a proteger nossas escolas e enfrentar a difícil questão da saúde mental.” No entanto, em nenhum momento, Trump mencionou o controle sobre a venda e o porte de armas nos EUA. / W.POST, NYT e AP

 

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