REUTERS/Christian Hartmann
REUTERS/Christian Hartmann

Ataque em avenida-símbolo de Paris mata 1 policial; EI reivindica autoria

Na reta final da campanha presidencial, homem armado troca tiros com polícia na Champs-Elysées, um dos pontos mais populares da capital francesa; turista foi atingida por estilhaços e agressor foi abatido pelas forças de segurança

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

20 Abril 2017 | 16h37
Atualizado 20 Abril 2017 | 20h39

Um homem armado trocou tiros nesta quinta-feira, 20, com a polícia na Avenida Champs-Élysées, a mais importante de Paris, por volta das 20h50 (15h50 em Brasília). Um agente foi morto, outros dois ficaram gravemente feridos. Uma turista foi atingida por estilhaços, enquanto o agressor foi abatido por policiais. Horas depois, a autoria do ataque foi reivindicada pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), em uma ação que lança ainda mais dúvidas sobre o resultado das eleições presidenciais de domingo. 

O ataque a tiros ocorreu ao ar livre, em um momento de grande fluxo de pessoas na avenida, situada no centro de Paris. De acordo com as primeiras investigações, um homem dirigindo um automóvel Audi estacionou junto a um furgão da polícia e abriu fogo contra seus ocupantes. Três agentes foram feridos, enquanto seus colegas reagiram ao agressor, que teria tentado fugir a pé antes de ser atingido. Antes mesmo de a organização extremista sunita, que domina partes dos territórios do Iraque e da Síria, assumir a autoria do ataque, uma investigação foi aberta pela Seção Antiterrorista do Ministério Público de Paris – um sinal inequívoco de que se tratava de um ato com motivação terrorista.

Por volta das 21h30, a reportagem do Estado chegou à região da Champs-Élysées e testemunhou a mobilização das forças de segurança. Parte do distrito foi isolado pela polícia e operações se multiplicavam em busca de supostos cúmplices. Informações sobre disparos levaram um helicóptero a sobrevoar a área utilizando canhões de luzes para buscar possíveis suspeitos, enquanto forças especiais do Grupo de Intervenção da Polícia Militar Nacional (GIGN) ordenaram aos jornalistas e pedestres na área que levantassem as mãos e se abrigassem no interior dos prédios na esquina das ruas Vernet e Galilée, a cerca de 300 metros do local do atentado.

“Eu vi a cena instantes depois do tiroteio, com os policiais tentando se abrigar, enquanto os feridos estavam caídos no chão, já recebendo atendimento, com cobertores de sobrevivência”, contou à reportagem o fotógrafo publicitário Nicolas Ferrand Simonnot, “Tudo foi muito, muito rápido.”

Outra testemunha, falando à emissora BMFTV, indicou que o alvo do agressor seriam os policiais. “Eu ouvi seis tiros, mas pensei que fossem fogos de artifício. Nós olhamos todos para a rua e vimos uma pessoa escondida atrás de um furgão. Ele poderia ter nos atacado, na calçada, e matar mais pessoas, mas seu alvo era a polícia”, disse o jovem. “As pessoas choravam, todo mundo correu para todos os lados.”

No intervalo de cinco minutos, toda a avenida foi fechada e o trânsito, interrompido. As lojas baixaram suas portas, mantendo em seu interior os consumidores e turistas por razões de segurança. Em paralelo, a identidade do assassino foi descoberta e levou a uma operação policial realizada na região de Seine et Marne.

“Nesta noite, às 20h50, um homem armado de um fuzil atirou contra a polícia na altura da loja Marks & Spencer. O terrorista foi neutralizado por tiros de revide da polícia. A identidade é conhecida, foi verificada e as investigações estão em curso, com operações para saber se houve cumplicidade”, informou no início da madrugada o procurador antiterrorismo de Paris, François Molins, que abriu investigação por crimes de homicídio e tentativa de homicídio em associação a grupo terrorista.

Identificação. Segundo o comunicado divulgado pelo EI, um homem apresentado por seu nome de guerra – Abou Youssef al-Belgiki – teria sido o autor do crime. As primeiras investigações mostraram que trata-se de um homem nascido em 1977, com passagens pela polícia e objeto de uma “Ficha S”, uma investigação dos serviços de inteligência por radicalização e proximidade com grupos que pregam a jihad – a “guerra santa”. 

Em razão do novo ataque, o primeiro na capital da França desde os trágicos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris e Saint-Denis que deixaram 123 mortos e 413 feridos, o presidente François Hollande convocou uma reunião do Conselho de Defesa para a manhã desta sexta-feira. O objetivo é mobilizar as forças de segurança a 48 horas das eleições presidenciais consideradas de alto risco (mais informações na página A09). Mais de 50 mil policiais civis e militares farão a segurança de seções eleitorais e a proteção de candidatos. 

“Nós devemos todos tomar consciência de que nossas forças de segurança fazem um trabalho particularmente delicado, e eles estão expostos. O apoio da nação é total”, afirmou Hollande, que decretou estado de emergência, regime de exceção que reforça os poderes da polícia, da Justiça e do Ministério Público, em 14 de novembro de 2015. “Tudo deve ser feito para que os policiais possam exercer suas funções, dentro do estado de direito”, defendeu.

O ataque desta quinta ocorre dois dias depois de uma operação policial prender dois homens em Marselha suspeitos de preparar um atentado imimente visando as eleições. 

 

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