Reuters/Carlos Barria
Reuters/Carlos Barria

Ativistas dos direitos humanos afirmam que haverá mais repressão em Cuba após morte de Fidel

Membro do grupo 'Hablemos Press' afirmou que um grupo de militares do castrismo quer se perpetuar no poder, e restrições à liberdade devem aumentar

O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2016 | 09h18

PANAMÁ - Um grupo de defensores dos direitos humanos e jornalistas de Cuba disseram na quinta-feira que após a morte do líder cubano Fidel Castro, no dia 25 de novembro aos 90 anos, as restrições à liberdade de expressão no país devem aumentar.

"A situação de repressão após a morte de Fidel continuou. Mesmo com 9 dias de luto nacional, os agentes da polícia secreta bateram nas portas de jornalistas e ativistas para ameaçá-los, para que não saiam, caso contrário, serão presos", afirmou Roberto de Jesús Pérez, do grupo jornalístico Hablemos Press.

Ele disse que embora o ex-mandatário tenha desaparecido fisicamente, ficam no poder um grupo de militares do castrismo que quer se perpetuar no poder, além do atual presidente, Raúl Castro. "Os poucos opositores e ativistas vão continuar suas atividades e os militares vão reprimir a todo custo seus atos."

Pérez pertence a um grupo de organizações que participou na quinta de uma audiência pública da 159 Sessão Ordinária da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), sobre a situação das pessoas defensoras dos direitos humanos em Cuba. Embora o Estado cubano tenha sido notificado desta audiência, nenhum representante compareceu.

Pérez, que esteve preso e disse que continua recebendo ameaças de parte das autoridades da ilha, manifestou que nos últimos sete anos aconteceram cerca de 32 mil detenções por motivos políticos contra dissidentes e ativistas. Ele considerou que essas situações se agravaram desde que Raúl assumiu o poder de Cuba temporariamente em 2006.

O diretor-executivo do Instituto de Raça, Igualdade e Direitos Humanos, Carlos Quesada, destacou que as situações são cada vez mais graves, ao ponto que a representante das Damas de Branco, Berta Soler, nunca foi ao Panamá por temer o que pudesse acontecer com seu filho na ilha, e que outra integrante do grupo, Laritza Diversent, não pôde ser contatada nas duas últimas semanas.

Ele advertiu que enquanto mais denúncias são feitas pelos defensores contra Cuba em nível internacional, maior é a repressão que enfrentam quando retornam ao seu país. Por isso, ele pediu para a CIDH se pronunciar abertamente sobre qualquer tipo de represália que possam receber por viajar ao Panamá.

Quesada disse que as autoridades desprestigiam injustificadamente os defensores, afirmando que são patrocinados por órgãos internacionais, mercenários, de extrema-direita ou agentes da Agência Central de Inteligência (CIA).

Além disso, sustentou que o sistema penal cubano está projetado pelo regime para não permitir nenhum tipo de críticas às autoridades. "Cuba usa artigos do Código Penal para processar ativistas e jornalistas (...). Seguem acontecendo grandes restrições à liberdade de imprensa quando os veículos de imprensa são críticos", lamentou.

Durante a audiência pública, o comissário da CIDH, Enrique Gil Botero, expressou que "é extremamente alarmante que depois das intervenções que tiveram os defensores, tenham acontecido represálias. Essa é uma atitude muito grave e delicada". Além disso, ele também pediu para proteger e defender a "visão sagrada" dos defensores de Cuba e de qualquer país.

Veja abaixo: A última viagem de Fidel Castro

As audiências públicas da CIDH servem para obter informação sobre os casos que se refere o órgão, sem que se possa tomar decisões de forma imediata, e escutar aos Estados e às organizações da sociedade civil sobre diferentes temas que querem expor. / EFE

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