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Aumenta a expectativa de vida na França

Agencia Estado

01 Fevereiro 2002 | 16h 31

Enfim, um recorde francês e dos mais agradáveis: a França está entre os países que desfrutam da melhor saúde e cujos cidadãos vivem mais tempo. O mais impressionante é a constância e a rapidez dos progressos realizados no que se refere à idade de média de vida. Há vinte anos, em 1981, um homem vivia, em média, até os 70 anos. Em 2000, ele vivia até 75 anos. Já as mulheres passaram, durante esse mesmo período, de 78 para 82 anos. Devemos procurar explicações complicadas? O roquefort, o Bordeaux seriam mais saudáveis que os outros alimentos? É possível. Mas, certamente, a verdadeira explicação é mais simples: o sistema de saúde francês, desde o fim da guerra (a partir do primeiro governo do general DeGaulle, que teve a coragem e a visão de criar a Previdência Social), é um dos mais eficazes do mundo. É verdade que esse sistema é oneroso. Ele impõe à comunidade e a cada indivíduo sacrifícios financeiros que alguns consideram exorbitantes. Mas o resultado esta aí: o tratamento é facilmente reembolsado. Os hospitais públicos são dotados de equipamentos modernos e de excelente corpo médico. Não se pode ignorar que existem ainda alguns problemas: o número de enfermeiras é insuficiente, etc. Porém, no conjunto, o hospital francês é um dos melhores do mundo. Que contraste com a medicina do país vizinho, a Inglaterra, que foi durante muito tempo "estatizada", até o estrangulamento, antes de ser privatizada na grande cruzada de Margaret Thatcher. A deterioração dos hospitais britânicos hoje em dia é tal (como os trens privatizados, etc.) que os ingleses, cansados de esperar por uma vaga hipotética em seus hospitais, estão adquirindo o hábito de procurar os hospitais franceses. As mesmas estatísticas colocam, porém, em evidência uma praga muito antiga e que não sofreu nenhuma redução: apesar dessa medicina amplamente assumida pela Previdência Social, os franceses continuam muito desiguais diante da morte. Morre-se mais jovem quando se é pobre, ou mesmo trabalhador. E as diferenças são chocantes. Por exemplo, aos 35 anos, um operário tem uma expectativa de vida 6,5 anos inferior à de um executivo. Como explicar isso? Como o acesso ao sistema de saúde é idêntico para todos os cidadãos, é preciso buscar outras causas: ambiente desfavorável, ameaça de desemprego, estresse, etc. Encontramos assim, no interior da própria sociedade francesa, o abismo que separa, em relação à esperança de vida, os países pobres edos países ricos.

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