Shizuo Kambayashi/AP
Shizuo Kambayashi/AP

Autoridades da Malásia aguardam chegada de filho de Kim Jong-nam para identificar o corpo

Embaixador norte-coreano acusa malaios de violarem o direito internacional por realizar a autópsia do irmão de Kim Jong-un sem permissão

O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2017 | 12h45

BANGCOC - Autoridades da Malásia aguardam nesta terça-feira, 21, a chegada do filho de Kim Jong-nam, irmão mais velho do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, assassinado na semana passada no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur, para identificar o corpo, de acordo com informações da imprensa local.

O chefe da polícia, Abd Samah Mat, evitou confirmar se Kim Han Sol já está na Malásia para reconhecer o pai, mas afirmou que, por enquanto, nenhum parente reivindicou a posse do corpo, informou a emissora Channel News Asia.

O agente acrescentou que, se algum parente comparecer ao Hospital Kuala Lumpur para reconhecer o corpo e fornecer uma amostra de DNA, e se a identificação for correta, o corpo será liberado e a embaixada norte-coreana será informada. Autoridades malaias anunciaram que revelarão na quarta-feira os resultados da autópsia.

O embaixador norte-coreano, Kang Chol, acusou a Malásia de violar o direito internacional por realizar, sem permissão, a autópsia e pediu uma investigação conjunta com as autoridades do país, insistindo que não pode confiar neles. O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, rejeitou a proposta e defendeu o profissionalismo da polícia e dos legistas do país.

Kim Jong-nam, que viajava com um passaporte diplomático sob o nome de Kim Chol, estava deixando Malásia no dia 13, quando foi abordado no Aeroporto de Kuala Lumpur por duas mulheres que supostamente lhe envenenaram. Ambas foram presas e asseguram que foram contratadas por desconhecidos que lhes disseram se tratar de uma brincadeira para a televisão.

Os policiais também prenderam um malaio e um químico norte-coreano, e realizam uma operação de busca e apreensão contra outros quatro norte-coreanos, que aparentemente voaram para Pyongyang pouco depois do suposto assassinato.

Espionagem. Veículos de imprensa locais disseram nesta terça-feira que os serviços de inteligência da Coreia do Sul espionaram Kim Jong-nam durante vários anos na Malásia e chegaram a obter suas impressões digitais e amostras de DNA.

O jornal sul-coreano Chosun e o site especializado NK News veicularam a notícia com base em testemunhos de pessoas que ajudaram o governo sul-coreano a obter informações sobre Kim Jong-nam, trabalhadores de um restaurante de Kuala Lumpur frequentado assiduamente por ele.

"A inteligência sul-coreana me pediu em 2014 que guardasse os pratos, colheres e copos que ele tinha usado, e que os pusesse em uma bolsa e os enviasse à embaixada da Coreia do Sul", afirmou Alex Hwang, um cidadão sul-coreano dono do restaurante Koryowon.

O objetivo era conseguir impressões digitais e amostras de DNA de Kim Jong-nam, segundo Hwang, que acrescentou que o irmão do líder norte-coreano visitou seu restaurante oito vezes entre 2012 e 2014.

Ao ser questionado sobre o assunto, governo de Seul evitou fazer comentários sobre as informações publicadas. / EFE

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