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REUTERS/David Adams

Autoridades de Miami rejeitam consulado de Cuba na cidade

Autoridades aprovaram resolução reiterando posicionamento contrário à medida, mas texto tem caráter simbólico já que cabe a Washington decidir onde as sedes diplomáticas serão instaladas

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O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2016 | 10h18

MIAMI - Autoridades de Miami aprovaram na quarta-feira uma resolução na qual rejeitam a possibilidade de que um consulado de Cuba seja instalado na cidade, alegando razões de segurança. Em Miami, vive grande parte dos cubanos que deixaram a ilha em direção aos Estados Unidos.

Aprovada pelas autoridades do condado de Miami-Dade, onde fica Miami, a resolução "urge ao governo do presidente (Barack) Obama que se abstenha de estabelecer um consulado cubano" na região.

De acordo com o texto, o condado de Miami-Dade "tem a maior população de cubano-americanos nos Estados Unidos", e muitos deles "fugiram da opressão e da injustiça" do governo cubano. Por esse motivo, um consulado da Ilha "poderia exacerbar paixões e criar riscos de insegurança".

A resolução foi proposta pelo comissário Esteban Bovo, filho de um veterano da frustrada invasão da Baía dos Porcos, em 1961, para quem a abertura do consulado seria inconveniente.

Bovo criticou a aproximação entre EUA e Cuba e questionou o fato de que os impostos pagos pelos imigrantes cubanos no condado de Miami-Dade possam acabar arcando com a "proteção de um consulado cubano que apoia a ditadura".

O texto tem caráter simbólico, porém, já que cabe a Washington decidir onde as sedes diplomáticas serão instaladas.

Além disso, a resolução sugere outras cidades alternativas como Tampa, na Flórida, e Nova Orleans, na Louisiana, e menciona uma pesquisa do jornal "Miami Herald", segundo a qual menos da metade dos cubanos que vivem na Flórida são favoráveis a sua abertura

Há alguns dias, a rejeição à possibilidade de um consulado de Cuba em Miami também foi anunciada pelo prefeito da cidade, Tomás Regalado, que nasceu em Cuba e cujo pai foi um preso político na Ilha, alegando "razões morais" e de segurança.

"Irei a uma corte federal, se o Departamento de Estado conceder a Cuba uma licença para estabelecer um consulado aqui", ameaçou Regalado, citado pelo jornal Miami Herald.

Estados Unidos e Cuba restabeleceram relações diplomáticas no dia 20 de julho de 2014, com a reabertura de embaixadas em Havana e Washington após mais de meio século de inimizade. / AFP e EFE

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