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AFP PHOTO / JOHN THYS

Autoridades europeias condenam atentados terroristas realizados na Bélgica

Premiê francês afirmou que é necessária uma mobilização de todas as instâncias para enfrentar a ameaça atual. Presidente russo qualificou os ataques de "selvagens" e pediu maior cooperação internacional para enfrentar o terrorismo global

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O Estado de S. Paulo

22 Março 2016 | 08h36

BRUXELAS - Autoridades europeias se manifestaram após os atentados terroristas ocorridos na Bélgica nesta terça-feira, 22, que deixaram dezenas de mortos e feridos. O primeiro-ministro belga, Charles Michel, afirmou que "este é um momento negro" para o país. 

"Há vários mortos e feridos, alguns em estado grave", disse em entrevista coletiva. Ele pediu à população que "neste momento, mais do que nunca", mantenha "a calma". "Vou pedir que todos tenham calma, mas também solidariedade", sustentou, ao mesmo tempo que reconheceu que é preciso "enfrentar essas ameaças unidos e com solidariedade". "Vamos acompanhar a situação minuto a minuto", assegurou.

O primeiro-ministro explicou que a Bélgica está totalmente determinada a responder à situação da maneira mais adequada possível e que foi colocado à disposição da população um número de urgência. "Agora a prioridade é tratar as vítimas" e "determinar a identidade de pessoas, se são belgas ou estrangeiras, e ligar para as embaixadas."

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, ressaltou que "estamos em guerra" e que para enfrentar a atual ameaça terrorista é necessária uma mobilização de todas as instâncias.

"Estamos em guerra. A Europa sofre há vários meses atos de guerra. E perante esta situação é preciso uma mobilização de todas as instâncias", indicou ao término de uma reunião do gabinete de crise no Eliseu. O encontro na sede da presidência francesa aconteceu logo após os ataques.

Valls ressaltou a importância de todas as forças de segurança "estarem particularmente mobilizadas" perante esta ameaça.

Pouco antes, o ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, havia anunciado que o governo decidiu desdobrar 1,6 mil policiais adicionais no conjunto do país destinados a reforçar o controle das fronteiras e as infraestruturas de transporte aéreo, marítimo e ferroviário.

O presidente da França, François Hollande, reuniu um gabinete de crise para analisar a situação após as explosões ocorridas na Bélgica, indicaram fontes da presidência francesa.

Hollande convocou Valls, Cazeneuve e o titular de Defesa, Jean-Yves Le Drian, que chegaram pouco depois das 10h locais (6h de Brasília). O Ministério das Relações Exteriores francês relatou que deu início a uma célula de crise relacionada com os incidentes na capital belga.

Holanda. A Holanda aumentou a segurança em seus aeroportos e reforçará os controles nas fronteiras do sul do país, informou o responsável pela luta contra o terrorismo da Holanda, Dick Schoof. "As medidas de segurança que são necessárias estão sendo tomadas", disse Schoof.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, indicou que a Holanda está preparada para apoiar a Bélgica como for necessário após este "atentado covarde". "É um assassinato premeditado. É um ataque a nossa segurança, ao nosso modo de vida. Bruxelas foi golpeada no coração, a Bélgica foi golpeada no coração. A Europa foi golpeada no coração", afirmou Rutte à imprensa em seu gabinete.

"Protegeremos a Holanda o melhor possível. É incrivelmente triste que tantas pessoas inocentes tenham perdido sua vida e que haja tantos feridos. Todos os nossos soldados estão preparados para tomar medidas adicionais. Neste momento não há nenhuma evidência de que isto possa acontecer na Holanda", afirmou Rutte.

O rei dos Países Baixos, Willem-Alexander, disse que transmitiu suas condolências ao rei Felipe, da Bélgica. "A Holanda está com as pessoas atingidas e com os moradores de Bruxelas, que agora vivem com incerteza e medo", indicou.

"A Europa está sendo de novo posta à prova. É necessário que mostremos nossa força coletiva e mantenhamos altos os valores de liberdade e solidariedade", disse.

Grã-Bretanha. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse que se sente "comovido" e "preocupado" com as explosões no aeroporto de Bruxelas.

"Faremos tudo o que for possível para ajudar", escreveu Cameron em sua conta no Twitter após ser informado sobre os ataques no aeroporto e na estação de metrô de Malbeek, bairro da capital belga.

O primeiro-ministro informou que presidirá ainda nesta terça-feira uma reunião do comitê de emergência Cobra (Cabinet Office Briefing Rooms), formado pelos principais membros do governo e das forças de segurança, em resposta às explosões na Bélgica.

Ao chegar a Downing Street, residência oficial de Cameron, o ministro britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond, disse à imprensa local que o governo está em contato com as autoridades belgas. "Obviamente vamos prestar toda a ajuda que pudermos".

Rússia. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, qualificou os atentados de "selvagens" e pediu maior cooperação internacional para enfrentar o terrorismo global.

"O presidente condenou estes crimes selvagens, expressou suas condolências ao povo belga, ao rei Philippe, e mostrou sua mais absoluta solidariedade com os belgas nestas horas difíceis", disse aos jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Putin afirmou que os atentados "não têm nenhuma justificativa e demonstram pela enésima vez que o terrorismo não conhece fronteiras e ameaça os povos de todo o mundo", segundo um comunicado divulgado pelo Kremlin.

"A luta contra este mal exige a mais estreita cooperação internacional", ressaltou Putin. Ele ainda se mostrou seguro de que os assassinos e seus cúmplices serão punidos.

Os  ataques terroristas ocorreram dias depois que as autoridades belgas detiveram em Bruxelas Salah Abdeslam, suspeito de participar dos atentados de 13 de novembro contra a capital francesa. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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