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Autoridades europeias condenam atentados terroristas realizados na Bélgica

- Atualizado: 22 Março 2016 | 10h 31

Premiê francês afirmou que é necessária uma mobilização de todas as instâncias para enfrentar a ameaça atual. Presidente russo qualificou os ataques de "selvagens" e pediu maior cooperação internacional para enfrentar o terrorismo global

BRUXELAS - Autoridades europeias se manifestaram após os atentados terroristas ocorridos na Bélgica nesta terça-feira, 22, que deixaram dezenas de mortos e feridos. O primeiro-ministro belga, Charles Michel, afirmou que "este é um momento negro" para o país. 

"Há vários mortos e feridos, alguns em estado grave", disse em entrevista coletiva. Ele pediu à população que "neste momento, mais do que nunca", mantenha "a calma". "Vou pedir que todos tenham calma, mas também solidariedade", sustentou, ao mesmo tempo que reconheceu que é preciso "enfrentar essas ameaças unidos e com solidariedade". "Vamos acompanhar a situação minuto a minuto", assegurou.

O primeiro-ministro explicou que a Bélgica está totalmente determinada a responder à situação da maneira mais adequada possível e que foi colocado à disposição da população um número de urgência. "Agora a prioridade é tratar as vítimas" e "determinar a identidade de pessoas, se são belgas ou estrangeiras, e ligar para as embaixadas."

Explosões fecham aeroporto e metrô de Bruxelas
AFP PHOTO / JOHN THYS
Explosões fecham aeroporto e metrô de Bruxelas

Polícia belga estava em alerta para possíveis represálias por conta da prisão de um dos principais suspeitos de ter comandado os atentados em Paris em 2015. Leia mais

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, ressaltou que "estamos em guerra" e que para enfrentar a atual ameaça terrorista é necessária uma mobilização de todas as instâncias.

"Estamos em guerra. A Europa sofre há vários meses atos de guerra. E perante esta situação é preciso uma mobilização de todas as instâncias", indicou ao término de uma reunião do gabinete de crise no Eliseu. O encontro na sede da presidência francesa aconteceu logo após os ataques.

Valls ressaltou a importância de todas as forças de segurança "estarem particularmente mobilizadas" perante esta ameaça.

Pouco antes, o ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, havia anunciado que o governo decidiu desdobrar 1,6 mil policiais adicionais no conjunto do país destinados a reforçar o controle das fronteiras e as infraestruturas de transporte aéreo, marítimo e ferroviário.

O presidente da França, François Hollande, reuniu um gabinete de crise para analisar a situação após as explosões ocorridas na Bélgica, indicaram fontes da presidência francesa.

Hollande convocou Valls, Cazeneuve e o titular de Defesa, Jean-Yves Le Drian, que chegaram pouco depois das 10h locais (6h de Brasília). O Ministério das Relações Exteriores francês relatou que deu início a uma célula de crise relacionada com os incidentes na capital belga.

Holanda. A Holanda aumentou a segurança em seus aeroportos e reforçará os controles nas fronteiras do sul do país, informou o responsável pela luta contra o terrorismo da Holanda, Dick Schoof. "As medidas de segurança que são necessárias estão sendo tomadas", disse Schoof.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, indicou que a Holanda está preparada para apoiar a Bélgica como for necessário após este "atentado covarde". "É um assassinato premeditado. É um ataque a nossa segurança, ao nosso modo de vida. Bruxelas foi golpeada no coração, a Bélgica foi golpeada no coração. A Europa foi golpeada no coração", afirmou Rutte à imprensa em seu gabinete.

"Protegeremos a Holanda o melhor possível. É incrivelmente triste que tantas pessoas inocentes tenham perdido sua vida e que haja tantos feridos. Todos os nossos soldados estão preparados para tomar medidas adicionais. Neste momento não há nenhuma evidência de que isto possa acontecer na Holanda", afirmou Rutte.

O rei dos Países Baixos, Willem-Alexander, disse que transmitiu suas condolências ao rei Felipe, da Bélgica. "A Holanda está com as pessoas atingidas e com os moradores de Bruxelas, que agora vivem com incerteza e medo", indicou.

"A Europa está sendo de novo posta à prova. É necessário que mostremos nossa força coletiva e mantenhamos altos os valores de liberdade e solidariedade", disse.

Grã-Bretanha. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse que se sente "comovido" e "preocupado" com as explosões no aeroporto de Bruxelas.

"Faremos tudo o que for possível para ajudar", escreveu Cameron em sua conta no Twitter após ser informado sobre os ataques no aeroporto e na estação de metrô de Malbeek, bairro da capital belga.

O primeiro-ministro informou que presidirá ainda nesta terça-feira uma reunião do comitê de emergência Cobra (Cabinet Office Briefing Rooms), formado pelos principais membros do governo e das forças de segurança, em resposta às explosões na Bélgica.

Operações de buscas pelos suspeitos dos atentados em Paris
Francois Mori / AP
Operações de buscas pelos suspeitos dos atentados em Paris

Policiais franceses participam de operação em Saint-Denis, um subúrbio do norte de Paris, em busca de suspeitos de terem participado dos atentados que deixaram 129 mortos e 352 feridos

Ao chegar a Downing Street, residência oficial de Cameron, o ministro britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond, disse à imprensa local que o governo está em contato com as autoridades belgas. "Obviamente vamos prestar toda a ajuda que pudermos".

Rússia. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, qualificou os atentados de "selvagens" e pediu maior cooperação internacional para enfrentar o terrorismo global.

"O presidente condenou estes crimes selvagens, expressou suas condolências ao povo belga, ao rei Philippe, e mostrou sua mais absoluta solidariedade com os belgas nestas horas difíceis", disse aos jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Putin afirmou que os atentados "não têm nenhuma justificativa e demonstram pela enésima vez que o terrorismo não conhece fronteiras e ameaça os povos de todo o mundo", segundo um comunicado divulgado pelo Kremlin.

"A luta contra este mal exige a mais estreita cooperação internacional", ressaltou Putin. Ele ainda se mostrou seguro de que os assassinos e seus cúmplices serão punidos.

Os  ataques terroristas ocorreram dias depois que as autoridades belgas detiveram em Bruxelas Salah Abdeslam, suspeito de participar dos atentados de 13 de novembro contra a capital francesa. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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