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Avião teve sistema de comunicação cortado, diz malaio

O Estado de S.Paulo

16 Março 2014 | 02h 04

Após concluir que Boeing 777-200 da Malaysia Airlines teria sido sequestrado, autoridades estimam que ele voou por mais de 6 horas

KUALA LUMPUR - O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, confirmou ontem que o voo MH-370 da Malaysia Airlines, que desapareceu com 239 pessoas no dia 8, teve os sistemas de comunicação desligados por "alguém" que depois pilotou o avião até dois pontos possíveis: Indonésia ou a fronteira entre Casaquistão e Turcomenistão.

Najib disse que a aeronave mudou de rota e voou durante 6 horas na direção oeste, após o último contato da aeronave com os controladores de voo. O premiê se recusou usar o termo "sequestro", mas todas as informações divulgadas por ele, segundo analistas, mostram que alguém a bordo, com um profundo conhecimento de rotas aéreas e das posições dos radares, desviou o avião por algum motivo.  

A Malaysia Airlines divulgou um comunicado, após a fala do premiê, dizendo que a situação é sem precedentes para a companhia e para toda a indústria da aviação. "Nunca houve um caso em que informações captadas apenas por sinais de satélites pudessem potencialmente ser usadas para identificar a localização de um voo comercial desaparecido. Dada a natureza da situação e sua extrema sensibilidade, era imprescindível que os sinais de satélite isolados fossem verificados e analisados por autoridades especializadas para que seu significado pudesse ser entendido. Isso nos tomou tempo, durante o qual não pudemos confirmar nenhuma informação."

O avião saiu de Kuala Lumpur à 0h41 do dia 8 (13h41 em Brasília, dia 7) e tinha previsão de chegada a Pequim seis horas mais tarde, mas desapareceu dos radares 40 minutos depois da decolagem. Segundo a Malaysia Airlines, o Boeing 777-200 tinha combustível para 7 horas e meia de voo.

Nova fase. "Claramente, as buscas pelo voo MH-370 entram em uma nova fase", disse ontem o premiê malaio. "Os investigadores devem focar os trabalhos agora no perfil da tripulação e dos passageiros que estavam a bordo."

Em razão da perícia exigida para desligar os aparelhos e pilotar a aeronave por seis horas, os principais suspeitos passaram a ser o piloto, Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos, e o copiloto, Fariq Abdul Hamid, de 27 anos. Ontem, policiais malaios realizaram buscas nas casas dos dois, segundo o jornal New Straits Times. Uma fonte da polícia disse à agência Reuters que eles haviam ido procurar evidências que pudessem ajudar nas investigações.

Zaharie está na Malaysia Airlines desde 1981 e tem um total de 18.365 horas de voo. Abdul Hamid entrou na companhia em 2007 e tem 2.763 horas de voo. Nenhum dos dois tem vínculos com organizações terroristas, embora o copiloto seja acusado de deixar duas sul-africanas entrar na cabine de comando durante um voo da Tailândia para a Malásia, em 2011. Amigos e familiares do copiloto, no entanto, disseram que ele era religioso e sério em relação a sua carreira, contrariando notícias que sugerem imprudência no trabalho.

Resgate. Nos primeiros dias, as buscas pelo Boeing 777-200 da Malaysia Airlines se concentraram no Golfo da Tailândia, especialmente em águas vietnamitas, local do último contato com os controladores de voo. No início da semana, no entanto, após informações de que o avião havia mudado de rota e teria voado por muito mais tempo com os sistemas de comunicação desligados, os trabalhos de resgate foram ampliados para uma vasta área no Oceano Índico, incluindo o Mar de Andaman e o Estreito de Malaca.

Agora, segundo o governo malaio, o avião poderia estar em uma área ainda mais vasta, que inclui a Ásia Central e o sul do Índico. Os trabalhos no Mar do Sul da China foram então interrompidas e autoridades da Malásia confirmaram ontem a abertura de dois corredores de busca: o primeiro vai da fronteira do Casaquistão com o Turcomenistão até o litoral da Tailândia; e o segundo se estende da Indonésia até o sul do Oceano Índico. / REUTERS, NYT e AP

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