Bachelet rebate ataques de García sobre espionagem

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, regressou hoje a Santiago e rechaçou as declarações "ofensivas e bombásticas" do presidente do Peru, Alan García, a respeito da denúncia de um caso de espionagem. Bachelet exigiu respeito na relação entre os dois países. García chamou ontem o Chile de "republiqueta".

AE-AP, Agencia Estado

17 Novembro 2009 | 19h50

"Eu quero me referir a uma situação que sem dúvida nos preocupa: as expressões que eu chamaria de ofensivas e bombásticas que conhecemos ontem e que em nada contribuem para a cooperação e integração entre países vizinhos", disse a mandatária chilena, horas após voltar de uma viagem à Ásia e a Roma, onde participou da cúpula da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Em alusão às declarações do presidente peruano, para o qual casos como o da suposta espionagem feita por um suboficial peruano para o Chile são "comportamentos próprios de uma republiqueta", Bachelet afirmou que sente "um enorme orgulho de ser presidente de um país que soube ganhar o merecido respeito, um lugar e um prestígio a nível internacional".

Investigações

Em Lima, o chanceler peruano José Antonio García Belaúnde replicou que as expressões de García foram "firmes" e "de rechaço a um ato que é inamistoso" e rechaçou que as declarações possam ter sido bombásticas.

"O presidente da República teve expressões firmes em defesa de uma soberania que foi violada e foi muito claro, além disso, em exigir o mínimo que se exige numa dessas situações que é uma investigação", declarou a jornalistas.

Um suboficial da inteligência da Força Aérea Peruana foi detido após ter sido descoberto fazendo espionagem para o Chile.

Belaúnde disse que o Peru entregará ao governo do Chile os documentos com provas da espionagem e que insistirá numa resposta.

O líder nacionalista peruano Ollanta Humala disse que o governo do Peru precisa romper relações diplomáticas com o Chile e anular o tratado de livre-comércio entre os dois países.

Já o chefe de gabinete do governo peruano, Javier Velázquez, disse que ficou claro que o suboficial da Força Aérea, Victor Ariza, se comunicava pela internet, a partir do Peru, com um endereço eletrônico no Chile e recebia dinheiro mandado por uma agência em Santiago da empresa de transferência de dinheiro Western Union.

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