Bascos vão às urnas divididos e sob tensão

O País Basco chega ao dia das eleições no seu momento político mais tenso dos últimos 20 anos. Um eleitorado profundamente dividido entre nacionalistas bascos e constitucionalistas pró-Madri decidirá neste domingo quem vai mandar na região. O resultado é impossível de prever, não só por causa do empate nas pesquisas, mas porque a abstenção costuma ser alta na região - cerca de 35% - e, acossados pelo medo, muitos eleitores escondem seu voto. Medo, aliás, foi a palavra-chave desta campanha. Do lado dos constitucionalistas (o Partido Popular e os socialistas), o apelo é contra o pânico semeado pelos atentados do grupo separatista ETA (Pátria Basca e Liberdade). Do lado dos nacionalistas, o medo é de que uma vitória dos "espanhóis" represente um retrocesso no processo de autonomia da região. O ETA tem um número pequeno de simpatizantes mesmo entre os bascos, a julgar pelos resultados eleitorais do Euskal Herritarrok (EH), o braço político do ETA. Nestas eleições, as pesquisas mostram que eles devem diminuir sua representação quase pela metade, mas mesmo assim podem dar o apoio necessário para que os nacionalistas do Partido Nacionalista Basco (PNV) consigam mais um mandato. A violência política é apontada por 62,8% dos bascos como o principal problema da sua região, segundo pesquisa do governo. Fato raro em qualquer eleição, os problemas econômicos ficaram em segundo plano, já que, para 52,2% dos entrevistados, a situação é boa. Bilbao, a maior cidade basca, é um dos principais centros industriais da Espanha. Também por causa do impacto da atuação do ETA, a eleição basca se tornou o principal assunto político da Espanha. Uma nova vitória do PNV, ainda mais com o apoio do EH, é vista como um incentivo para as ações do ETA. Se esse clima de tensão resultar numa vitória dos constitucionalistas, este domingo representará a virada mais importante da região desde o fim do franquismo, há 25 anos. Será também o mais duro golpe da história contra os que defendem a autonomia do País Basco. Mas não o fim da rotina sangrenta no norte da Espanha.

Agencia Estado,

12 Maio 2001 | 15h01

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