Beira-Mar confessa que pagava US$ 10 mi por mês às Farc

Preso no último sábado, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, confessou que pagava cerca de US$ 10 milhões por mês às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pela cocaína produzida em território dominado pela guerrilha. O procurador-geral da República, Alfonso Gomes Mendez, disse nesta segunda-feira que a Colômbia pode deportar Beira-Mar até o fim da semana. O traficante passou nesta segunda-feira por nova sessão de interrogatório, iniciada ao meio-dia e encerrada cerca de sete horas depois. "Amanhã vamos continuar ouvindo o senhor Costa e a decisão só será tomada ao final do depoimento", informou Mendez. O delegado César Nunes, adido da Polícia Federal na Colômbia, disse que, caso ocorra a deportação, Beira-Mar será entregue a autoridades brasileiras em Bogotá ou Tabatinga (AM) - onde um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) está de prontidão. Nunes, um outro delegado e quatro agentes serão responsáveis pela escolta do traficante até Brasília. Ao ser detido, Beira-Mar disse que estava na Colômbia como criador de gado. Interrogado, porém, ele confessou ao ministro da Defesa, Luis Fernando Ramírez, que comprava cerca de 200 toneladas de cocaína das Farc por ano, cerca de um terço da produção do país. O brasileiro disse que entregava às Farc US$ 500 por quilo de cocaína recebido e US$ 15 mil por vôo de avião feito na região controlada pela guerrilha. Ele afirmou que em outras ocasiões pagava aos guerrilheiros em armas. O chefe das Forças Armadas, general Fernando Tapias, revelou que Beira-Mar entregou à guerrilha 10 mil armas e 3 milhões de balas. O criminoso também admitiu envolvimento com o contrabando de 10 mil fuzis AK-47 recebidos pelos rebeldes no ano passado. O ex-chefe do Serviço de Inteligência do Peru, Vladimiro Montesinos, teria participado da transação. O jornal Nuevo Herald, de Miami, informou hoje que os Estados Unidos entraram na disputa pela extradição de Beira-Mar. O próprio criminoso teria revelado em interrogatório seu desejo de ser julgado por tribunais norte-americanos. "Ele disse que preferia ser levado aos Estados Unidos porque, caso volte ao Brasil, terá de delatar meio país", disse um oficial.

Agencia Estado,

23 Abril 2001 | 23h40

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