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AFP PHOTO / Belga

Polícias de Bélgica, França e Alemanha prendem 12 suspeitos de terrorismo

Operações realizadas em conjunto começam, segundo presidente francês, a desmontar célula do EI no continente; homem apontado como terceiro participante de atentado no aeroporto de Bruxelas estaria entre os detidos; dois homens foram imobilizados a tiros

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Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL / BRUXELAS,
O Estado de S. Paulo

25 Março 2016 | 09h46

BRUXELAS - As polícias de Bélgica, França e Alemanha lançaram operações coordenadas e prenderam 12 pessoas em menos de 24 horas, aproximando-se do objetivo de desmontar uma célula terrorista ligada ao grupo Estado Islâmico (EI) após os ataques a bomba que deixaram 31 mortos na terça-feira em Bruxelas. 

Na capital belga, três homens foram detidos ontem. As detenções ocorreram horas depois de a polícia francesa descobrir um arsenal e produtos químicos na periferia de Paris. O presidente da França, François Hollande, afirmou que o grupo de jihadistas europeus está finalmente sendo destruído.

 

A sequência de operações começou no final da tarde de quinta-feira, nas imediações de Paris. Um homem de 34 anos, o francês Reda Kriket, foi identificado e preso em um apartamento de Argenteuil, 20 quilômetros a noroeste de Paris. No imóvel, foram encontrados seis fuzis, oito carregadores, sete pistolas, equipamentos elétricos e químicos como ácidos, água oxigenada e acetona – que seriam usados para fabricar explosivos.

Kriket era procurado desde agosto de 2015, após ser condenado pela Justiça da Bélgica a 10 anos de prisão por participação em organização terrorista. Ele fazia parte do mesmo grupo integrado por Abdelhamid Abaaoud, considerado o mentor dos atentados de 13 de novembro em Paris e Saint-Denis, que deixaram 130 mortos. Os dois também teriam em comum a relação estreita com Khalid Zerkani, suspeito de ser o mais importante recrutador de jihadistas para o EI na Síria.

De acordo com o ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, a operação permitiu abortar um projeto “avançado” de atentado que teria a França como alvo. 

Blitze. Horas depois da ação francesa, a polícia da Bélgica mobilizou centenas de homens em operações nas cidades de Bruxelas, Jette, Forest, Saint-Gilles e Schaerbeek entre a quinta-feira à noite e ontem – nove pessoas foram presas. Dessas, três foram liberadas. Pelo menos um dos presos pode ter relações diretas com os atentados do aeroporto de Zaventem e da estação de metrô Maelbeek na terça-feira. Trata-se de Fayçal Cheffou, suspeito de ser o terceiro terrorista que teria participado do ataque ao aeroporto, segundo o jornal Le Soir. 

Ontem, outras três pessoas foram detidas – duas delas, imobilizadas pela polícia com tiros nas pernas. Tratam-se de Tawfik A., preso em Forest, Salah A., detido em Saint-Gilles, e um homem ainda não identificado, capturado em uma operação em Schaerbeek às 13h30 de ontem. O suspeito tentou reagir à prisão, teria feito duas reféns, segundo testemunhas, mas foi cercado por policiais, ferido em uma das pernas e detido. 

Um “desarmador” de bombas e um robô foram mobilizados para verificar a existência de explosivos no local. 

Em Giessen e Düsseldorf, na Alemanha, foram detidos dois suspeitos de estarem em contato com Khalid el-Bakraoui, um dos suicidas de Bruxelas. Segundo a revista Der Spiegel, mensagens de texto foram enviadas a Samir E., membro de um grupo salafista que havia sido preso pelas autoridades da Turquia em 2015 ao lado de Bakraoui. 

No celular do segundo detido, cuja identidade não foi revelada, duas mensagens enviadas pelo mesmo terrorista, uma delas com a palavra “fim” em francês, foram recebidas às 9h08 – instantes antes do atentado à estação de Maelbeek. O Ministério do Interior da Alemanha não comentou as possíveis relações entre os detidos com a célula terrorista belga.

Em Paris, Hollande destacou a importância das operações. “Temos obtido resultados, encontrando terroristas”, afirmou, sem menosprezar a ameaça. “Sabemos que há outras redes. Mesmo que a rede que cometeu os atentados de Paris e Bruxelas esteja em vias de ser aniquilada, há sempre a ameaça.”

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