1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Bélgica restabelece controle de fronteira com a França

- Atualizado: 23 Fevereiro 2016 | 20h 59

Governo teme que, com o fechamento de campo de refugiados perto de Calais, imigrantes invadam seu território

O governo da Bélgica solicitou nesta terça-feira à União Europeia a suspensão do Tratado de Schengen, que estabelece a livre circulação de pessoas no continente, com o objetivo de controlar a fronteira com a França. A medida foi tomada em razão do receio de que os imigrantes acampados em Calais, no norte francês, dirijam-se para o interior belga na esperança de cruzar o Canal da Mancha em direção à Grã-Bretanha. 

O movimento de estrangeiros de um país a outro aumentou com a perspectiva de retiradas de parte da “selva”, como foi apelidada a favela em que vivem os refugiados.

Polícia belga faz checagem em ônibus que ia da Franbça para a Bélgica

Polícia belga faz checagem em ônibus que ia da Franbça para a Bélgica

A iniciativa foi informada pelo ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon, no final da tarde desta terça-feira. Mas o controle já havia sido restabelecido na noite de segunda-feira, quando 32 pessoas foram interpeladas na cidade de Adinkerke e impedidas de ingressar. “Quando o campo na França for esvaziado, poderemos enfrentar um fluxo de vários milhares de pessoas”, justificou o ministro.

Vamos controlar a fronteira em diferentes pontos estratégicos, em locais utilizados pelos ‘passadores’ que a polícia já detectou.”

“Passadores” são os traficantes que auxiliam, mediante remuneração, os imigrantes a avançar pelo interior da Europa.

As autoridades consideram o risco maior na cidade de Adinkerke em razão do porto seco de caminhões de carga que, a partir da cidade, cruzam o Canal da Mancha. Essa é uma das estratégias usadas pelos imigrantes em Calais. Mas, com o aperto da segurança realizado pelo Ministério do Interior da França, as chances de sucesso da travessia se tornaram escassas. Muitos estrangeiros estariam considerando a hipótese de tentar a sorte no porto belga.

Nesta terça-feira, quase 300 policiais foram enviados para a região. A decisão foi comunicada à União Europeia, já que a livre circulação, prevista no Tratado de Schengen, será suspensa. Pelos tratados europeus, um país-membro tem o direito a uma suspensão do tratado em “circunstâncias excepcionais” e por tempo determinado.

As circunstâncias alegadas por Bruxelas é a destruição de parte do campo de refugiados em Calais. A iniciativa foi anunciada há duas semanas pelo governo francês e deveria ocorrer ontem. Mas a iniciativa foi adiada. Uma juíza do tribunal administrativo de Lille visitou o acampamento ontem para avaliar se sua destruição violaria os direitos fundamentais dos refugiados. A resposta dela deve sair entre quarta e quinta-feira.

O governo francês promete transferir até 600 estrangeiros, a maioria sírios, iraquianos, afegãos e iemenitas, para uma área de residências coletivas construídas em contêineres aquecidos para enfrentar o inverno com melhor infraestrutura. Mas os imigrantes reclamam que no centro de acolhimento sua liberdade de ir e vir é restrita.

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em InternacionalX