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DAVID STOCKMAN/AFP

Bélgica restabelece controle de fronteira com a França

Governo teme que, com o fechamento de campo de refugiados perto de Calais, imigrantes invadam seu território

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Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS,
O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2016 | 20h50

O governo da Bélgica solicitou nesta terça-feira à União Europeia a suspensão do Tratado de Schengen, que estabelece a livre circulação de pessoas no continente, com o objetivo de controlar a fronteira com a França. A medida foi tomada em razão do receio de que os imigrantes acampados em Calais, no norte francês, dirijam-se para o interior belga na esperança de cruzar o Canal da Mancha em direção à Grã-Bretanha. 

O movimento de estrangeiros de um país a outro aumentou com a perspectiva de retiradas de parte da “selva”, como foi apelidada a favela em que vivem os refugiados.

A iniciativa foi informada pelo ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon, no final da tarde desta terça-feira. Mas o controle já havia sido restabelecido na noite de segunda-feira, quando 32 pessoas foram interpeladas na cidade de Adinkerke e impedidas de ingressar. “Quando o campo na França for esvaziado, poderemos enfrentar um fluxo de vários milhares de pessoas”, justificou o ministro.

Vamos controlar a fronteira em diferentes pontos estratégicos, em locais utilizados pelos ‘passadores’ que a polícia já detectou.”

“Passadores” são os traficantes que auxiliam, mediante remuneração, os imigrantes a avançar pelo interior da Europa.

As autoridades consideram o risco maior na cidade de Adinkerke em razão do porto seco de caminhões de carga que, a partir da cidade, cruzam o Canal da Mancha. Essa é uma das estratégias usadas pelos imigrantes em Calais. Mas, com o aperto da segurança realizado pelo Ministério do Interior da França, as chances de sucesso da travessia se tornaram escassas. Muitos estrangeiros estariam considerando a hipótese de tentar a sorte no porto belga.

Nesta terça-feira, quase 300 policiais foram enviados para a região. A decisão foi comunicada à União Europeia, já que a livre circulação, prevista no Tratado de Schengen, será suspensa. Pelos tratados europeus, um país-membro tem o direito a uma suspensão do tratado em “circunstâncias excepcionais” e por tempo determinado.

As circunstâncias alegadas por Bruxelas é a destruição de parte do campo de refugiados em Calais. A iniciativa foi anunciada há duas semanas pelo governo francês e deveria ocorrer ontem. Mas a iniciativa foi adiada. Uma juíza do tribunal administrativo de Lille visitou o acampamento ontem para avaliar se sua destruição violaria os direitos fundamentais dos refugiados. A resposta dela deve sair entre quarta e quinta-feira.

O governo francês promete transferir até 600 estrangeiros, a maioria sírios, iraquianos, afegãos e iemenitas, para uma área de residências coletivas construídas em contêineres aquecidos para enfrentar o inverno com melhor infraestrutura. Mas os imigrantes reclamam que no centro de acolhimento sua liberdade de ir e vir é restrita.

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