AFP PHOTO /Alberto PIZZOLI
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‘Berlusconi acabou’, afirma cientista político italiano

Professor da Universidade Luiss Guido Carli, de Roma, Leonardo Morlino diz que a Itália vive um terremoto político marcado pelo crescimento de partidos populistas ou de extrema direita

O Estado de S.Paulo

05 Março 2018 | 20h48

Professor da Universidade Luiss Guido Carli, de Roma, Leonardo Morlino diz que a Itália vive um terremoto político marcado pelo crescimento de partidos populistas ou de extrema direita. Segundo Morlino, as eleições do fim de semana marcaram o fim do ex-premiê Silvio Berlusconi. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Estado. 

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Quem será o premiê da Itália?

Há muita incerteza. Os dois partidos que venceram foram o M5S e a Liga, com sua coalizão de partidos de direita. O governo terá de começar com um ou outro. É provável que o presidente Sergio Mattarella comece por Luigi di Maio (M5S), para ver se ele é capaz de obter apoio de outro partido.

Qual o papel de Berlusconi? 

Berlusconi acabou. Ele teve 14% da Câmara dos Deputados. Na hipótese um governo da Liga, de Matteo Salvini, com apoio de partidos centristas, talvez Berlusconi tenha algum peso. Mas Salvini seria o premiê, porque há um acordo entre Liga e Força Itália de que o cargo ficaria com quem chegasse à frente. 

Há risco de a Itália sair da UE?

Os italianos são favoráveis à Europa. Ninguém pensa em uma Itália fora da UE. Não há no país partidos ou líderes fortes que sejam contra a Europa. 

Por que os partidos tradicionais tiveram desempenho ruim?

O mais surpreendente foi o fracasso do PD. Como em outras partes do mundo, a democracia italiana passa por três processos: radicalização ativa, passiva ou alienação. A radicalização mais forte na Itália foi a ativa, com os partidos populistas e de extrema direita como os mais votados. Os eleitores moderados são os 14% de Berlusconi e os 18% do PD. Juntos são pouco mais de 30%. A radicalização na Itália é forte e esse é o problema da democracia contemporânea: como governar em meio à radicalização? 

Como?

A radicalização também existe na Alemanha e na França, mas as regras tornam possível governar em uma democracia radicalizada. Na Itália, essas regras não existem. 

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