REUTERS/Amir Cohen
REUTERS/Amir Cohen

Bibi é criticado por servir sobremesa em 'sapato' a premiê japonês

Jantar diplomático entre líderes gerou controvérsia entre diplomatas; segundo o chef responsável pelo prato, chocolates foram servidos dentro de uma escultura

O Estado de S.Paulo

07 Maio 2018 | 15h35

JERUSALÉM - Não há muitas culturas no mundo nas quais colocar um sapato em cima da mesa de jantar seja um comportamento aceitável, mas para os japoneses existe uma etiqueta clara contra a presença de sapatos no interior das casas.

Isso pode explicar o furor depois da visita do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, e sua mulher, Akie Abe, a Israel na última semana.

Após um dia de reuniões de alto escalão no dia 2 de maio, o líder japonês foi agraciado com um jantar festivo na residência oficial do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e sua mulher, Sara Natanyahu. Foi a segunda visita do casal japonês em Israel e os pratos ficaram por conta do famoso chef israelense Segev Moshe.

Então veio a sobremesa. Uma seleção de deliciosos bombons de chocolate dispostos dentro de um sapato. O jornal diário israelense "Yediot Aharonot" escreveu que "diplomatas japoneses, funcionários do Ministério das Relações Exteriores de Israel e diplomatas de alto escalão israelenses que anteriormente serviram no Japão ficaram chocados com a ideia".

 

Chocolate selection from the world by #SegevArt ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ / A metal shoe by @tomdixonstudio

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Segundo o jornal, um funcionário de alto escalão anônimo chegou a afirmar que "foi uma decisão insensível". "Não há nada mais baixo do que um sapato na cultura japonesa. Além de não usarem sapatos em casa, você também não vai encontrar sapatos em seus escritórios. Isso é um desrespeito de primeira ordem."

O lado criativo do chef Moshe foi exibido em maio do ano passado, quando o presidente americano Donald Trump visitou Israel. À ocasião, ele serviu a sobremesa com o formato de duas cabeças juntas - a de Trump e a de Netanyahu.

No domingo, Segev postou uma foto da sobremesa dentro sapato em sua conta no Instagram, escrevendo "Seleção de chocolates do mundo" e dizendo que o sapato utilizado era de metal e produzido pelo escultor Tom Dixon.

"A sobremesa foi servida dentro de uma escultura do artista internacional Tom Dixon, cujas obras estão expostas em grandes museus ao redor do mundo e, pela primeira vez, foi exibida em Israel durante uma refeição. Esta é uma obra de alta qualidade feita de metal fundido na forma de um sapato; não é um verdadeiro sapato", disse o porta-voz do cozinheiro.

No entanto, seus seguidores no Instagram apresentaram opiniões diferentes. "Quando você cozinha uma refeição diplomática, o mínimo que você pode fazer é perguntar sobre o hóspede. No Japão, sapatos são considerados desprezíveis, eles sempre tiram os sapatos antes de entrar em casa, tanto para si mesmos como para os outros", disse um usuário.

Outra pessoa escreveu que "você não precisa conhecer nenhuma cultura para saber que servir sapatos em um jantar é errado!".

Servir sobremesa em um recipiente na forma de sapato não foi a única controvérsia da visita. Na sexta-feira, Netanyahu postou um vídeo em sua conta do Facebook no qual reclama sobre a falta de cobertura da mídia sobre a presença de Abe em Israel.

"Eu quero lhes dizer uma coisa, o primeiro-ministro do Japão nos visitou. Ele lidera a terceira maior economia do mundo. Ele trouxe consigo uma delegação enorme de empresários, os chefes das maiores corporações. Vocês conhecem os nomes, Mitsubishi, Mitsui e muitos outros. Vocês ouviram alguma coisa sobre isso na mídia? Nada! Então abram meu Facebook e aprendam sobre isso", disse Netanyahu, em hebraico.

Jornalistas israelenses responderam à reclamação apontando que a mídia hebraica publicou mais de 50 itens sobre diversos aspectos da viagem, segundo noticiou o site "Times of Israel". O veículo também destacou que os dois líderes não realizaram uma entrevista coletiva.

"Primeiro-ministro, talvez seja hora de parar com as notícias falsas", afirmou o correspondente Itamar Eichner, do jornal "Yediot Aharonot". "Você não apenas não permitiu que os jornalistas participassem de suas reuniões com o primeiro-ministro japonês, como a mídia noticiou a visita", acrescentou, sugerindo que Netanyahu devesse excluir a postagem. / W. POST

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