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AP Photo/Evan Vucci

Bibi foi a Washington tentar 'estancar a sangria'

Bibi é acusado de receber, do bilionário Arnon Milchan, remessas de charutos cubanos, champanhe e outros mimos, estimados em US$ 180 mil

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Helio Gurovitz 

19 Fevereiro 2017 | 04h00

O premiê israelense, Bibi Netanyahu, foi recebido com pompa na Casa Branca por Donald Trump. Sobre a paz com os palestinos, Trump se saiu com uma frase ambígua, apoiando um Estado, dois Estados, tanto faz, o que for melhor. Bibi era só sorrisos. Nem mencionou o recrudescimento do antissemitismo nos EUA após a eleição de Trump.

O problema dele é outro: enfrenta investigações por corrupção em Israel e, se indiciado, perderá o cargo. Bibi é acusado de receber, do bilionário Arnon Milchan, remessas de charutos cubanos, champanhe e outros mimos, estimados em US$ 180 mil, e de ter obtido em contrapartida a renovação do visto americano de Milchan, o que lhe salva de milhões em impostos em Israel.

Em outra denúncia, David Shimron, primo e advogado de Bibi, é apontado como lobista da Thyssen Krupp, dispensada de licitação na venda de três submarinos a Israel, desnecessária segundo os militares – a pressão de Bibi em favor do contrato derrubou o ministro da Defesa em maio. Bibi foi flagrado numa escuta negociando acordo com seu arqui-inimigo Arnon Mozes, dono do jornal Yediot Ahronot.

Em troca de cobertura favorável, Bibi tomaria medidas para deter o crescimento do rival Israel Hayom, do bilionário americano Sheldon Adelson (partidário histórico de Bibi e recente de Trump). A conversa não deu em nada. Bibi diz que era uma armadilha para pegar Mozes. O procurador-geral Avichai Mandelblit tem sido benevolente com ele. Deveria tomar lições em Curitiba.

O entusiasta dos colonos quer o poder

Ao tentar, sem sucesso, obter de Trump apoio para mais colônias israelenses na Cisjordânia, Bibi procurava neutralizar o programa de seu maior rival na própria coalizão: o ministro da Educação, Naftali Bennett. Entusiasta dos colonos, Bennett conseguiu que o Parlamento legalizasse este mês 4 mil casas construídas em 55 assentamentos. Pressiona agora pela anexação de 60% da Cisjordânia. Se Bibi cair, é candidato natural a liderar a coalizão. Paz? Estado palestino? Para Bennett, nem pensar.

 

A “Glória da Jihad”  assume o poder

Em Gaza, o Hamas escolheu como novo comandante Yahia Sinuar, líder da espionagem militar do grupo, chamada em árabe de Majd – “glória” ou sigla de “organização da jihad e pregação”. Na lista americana de terroristas desde 2015, Sinuar ficou preso em Israel entre 1988 e 2011, quando foi libertado na troca pelo soldado Gilad Shalit, mantido como refém pelo Hamas por cinco anos. Paz? Reconhecimento de Israel? Para Sanuar, nem pensar.

 

Mais juízes que Clinton, Obama e Bush

Trump tem menosprezado o Judiciário. Não deveria. Fora vagas na Suprema Corte, ele indicará bem mais juízes que os antecessores. De 870 postos cuja indicação cabe ao presidente, 12% estão vagos, e 24% são ocupados por juízes com mais de 70 anos. Em oito anos, as indicações somarão 38%, segundo o blog The Upshot – mais que Clinton (31%), Obama (29%) e W. Bush (26%). 

 

Trump e os emolumentos

Nem bem ele declarou apoio à política de “uma só China”, autoridades chinesas concederam a suas empresas a exploração da marca Trump em construção civil. Caberá aos juízes dizer se há violação do artigo da Constituição que proíbe o presidente de receber presentes ou “emolumentos” de países estrangeiros.

 

A imprensa faz o jogo dele

É o que diz o âncora da CBS John Dickerson. Ao tratar deslizes e frases absurdas de Trump como escândalos, jornalistas dão a ele diariamente argumentos para condenar a “mídia” e tratá-la como partido opositor. Exatamente como Lula fazia no Brasil. Trump até agora só falou. Não impediu nenhum jornalista de trabalhar, nem de publicar nada. Deixa falar.

 

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