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Bilionário Trump rouba votos de Rubio nas bases

Bases conservadores republicanas se rebelaram contra o movimento da elite partidária para apoiar iniciativas pró-imigração; Trump captou o descontentamento

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Cláudia Trevisan ENVIADA ESPECIAL / MIAMI,
O Estado de S. Paulo

12 Março 2016 | 07h00

Operário da construção civil, Jack Oliver responsabiliza os milhões de imigrantes que vivem de maneira irregular nos EUA pela estagnação dos salários de trabalhadores que conseguiam ter uma vida de classe média até os anos 80. “Não temos aumento de renda há quase 40 anos por causa da oferta de mão de obra barata dos imigrantes”, disse à reportagem.

Na quinta-feira, ele fazia campanha contra Marco Rubio em frente à Universidade de Miami. Oliver carregava um cartaz com a imagem o senador com um nariz de Pinóquio, uma alusão à sua mudança de posição na questão migratória. 

“Em 2009, eu participei de encontro no qual Marco Rubio disse que jamais apoiaria a anistia aos imigrantes ilegais”, observou Oliver, diretor de uma organização que defende a aplicação das leis sobre imigração. Quando chegou ao Senado, o representante da Flórida articulou a aprovação de reforma que abria caminho para obtenção de cidadania às 11 milhões de pessoas que vivem sem documentos nos EUA. 

A mudança refletia em parte o diagnóstico dos líderes do Partido Republicano de que era necessário cultivar o voto hispânico para aumentar as chances da legenda de voltar à Casa Branca, depois de duas derrotas consecutivas contra Barack Obama. Mas as bases conservadores republicanas se rebelaram contra o movimento da elite partidária. Trump captou o descontentamento e colocou a retórica anti-imigração no centro de sua campanha.

Vladimir Arauz, de 31 anos, trocou a Nicarágua pelos EUA em 2006 e se tornou cidadão americano dois anos mais tarde. Hoje, é um ativista da candidatura de Trump. “Eu tenho que pensar como americano, não como hispânico”, disse Arauz, que admira o bilionário desde que leu seu livro A Arte da Negociação, no qual Trump discorre sobre suas táticas para obter acordos. “Trump é o único que pode fazer esse país voltar a ser o que era. Quando cheguei aqui, sobravam empregos.”

O talento empresarial do empreendedor imobiliário e celebridade de reality shows é o que definiu o voto de Luis Salom. “Estou cansado de políticos e quero um homem de negócios bem sucedido”, afirmou. Filho de cubanos, Salom é registrado como eleitor republicano, mas já votou em democratas. Em 2008, apoiou Obama e, em 1996, foi a favor da reeleição de Bill Clinton. 

Os comentário depreciativos do bilionário em relação às mulheres não intimidaram Carolina Maestre, também filha de cubanos, que carregava um cartaz com o slogan “Mulheres com Trump” em frente à Universidade de Miami. “O que ele diz em relação aos imigrantes não é injusto. Ele quer que eles saiam e voltem legalmente”, disse Carolina, que é arquiteta e está desempregada há três anos. “O muro vai ter uma porta bem grande, para que muitos entrem de maneira legal.”

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