Blair diz que não amplia guerra sem consultas

Em sua intensa ofensiva para fortalecer a coalizão internacional antiterrorista, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, procurou nesta quarta-feira tranqüilizar os países muçulmanos, especialmente os árabes, assegurando que a guerra contra o terror, liderada pelos Estados Unidos, não será estendida além das fronteiras do Afeganistão sem uma ampla consulta a todos. Blair esteve com soldados britânicos que participam de exercícios militares conjuntos no deserto com as Forças Armadas de Omã e reuniu-com com as autoridades locais. Em sua declaração, ele referia-se a uma carta enviada por Washington na segunda-feira ao Conselho de Segurança da ONU, na qual a Casa Branca sustenta que os EUA, com base em seu direito de autodefesa, podem atacar bases terroristas em outros países. O teor da carta causou preocupação não só no mundo islâmico como em importantes aliados europeus dos Estados Unidos. Os norte-americanos, segundo fontes diplomáticas, estariam inclinados a "ajustar velhas contas" com seu arquiinimigo Saddam Hussein, presidente do Iraque. A Grã-Bretanha, embora apóie incondicionalmente os Estados Unidos em suas ações políticas e militares, partilha das preocupações dos aliados europeus. A coalizão que Blair ajudou a construir poderia desmoronar como um castelo de cartas. Um porta-voz do primeiro-ministro britânico procurou desmentir nesta quarta-feira as especulações de que Washington e Londres teriam concordado em incluir o Iraque em sua campanha militar. O primeiro-ministro britânico reafirmou que os aliados não vão descansar enquanto o terrorismo não for completamente derrotado. "Como o terrorismo é financiado, como ele adquire armas, como ele se move através das fronteiras - são questões que vamos debater e levar em consideração antes de agir." E insistiu: "Antes de adotar qualquer tipo de ação, vamos debatê-la com nossos aliados." Em Londres, a Scotland Yard iniciou investigação contra uma organização fundamentalista islâmica por supostas ameaças de morte a Blair. A ameaça teria partido do líder de um grupo islâmico radical do Paquistão, Abdel-Rahman Saleen, que mantém vínculos com o Al-Muhajiroun, na Grã-Bretanha, chefiado por Omar Bakri Mohamed. Entrevistado pela Associated Press, Mohamed negou as acusações. "Duvido que ele (Saleen) tenha feito essas ameaças. Suas declarações, certamente, foram pinçadas (pela imprensa) de um contexto mais amplo", procurou justificar Mohammed, que é cidadão britânico. Segundo um porta-voz da polícia britânica, a Al-Muhajiroun (Os Imigrantes) pretende "criar um Estado islâmico na Grã-Bretanha e "já vinha sendo monitorada". Leia o especial

Agencia Estado,

10 Outubro 2001 | 21h52

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