REUTERS/Abdalrhman Ismail
REUTERS/Abdalrhman Ismail

Bombardeio a hospital em Alepo deixa mais de 20 mortos, incluindo crianças e médico

Segundo emissora Al Jazeera e ONU, atentado matou o último pediatra que havia na região controlada pelos rebeldes. Atentados em outras áreas da cidade ao menos 34 mortos

O Estado de S. Paulo

28 Abril 2016 | 08h27

BEIRUTE - Pelo menos 27 pessoas morreram em Alepo, no norte da Síria, entre elas 3 crianças e o último pediatra que havia na região controlada pelos rebeldes, depois que o hospital de Al Quds foi bombardeado por forças do governo na noite de quarta-feira, informou nesta quinta-feira, 28, a emissora Al Jazeera e a ONU.

Equipes de resgate trabalham para retirar os corpos e ajudar os sobreviventes que estão sob os escombros do edifício. Emissora disse que número de mortos ainda pode aumentar.

Entre as vítimas está "um dos últimos pediatras" que havia na região, o doutor Wasem Maaz. A informação foi confirmada durante a madrugada em Genebra pelo mediador da ONU nas negociações de paz para a Síria, Staffan de Mistura. Ele afirmou que um bombardeio aéreo contra um hospital no leste de Alepo "provavelmente acabou com a vida do último pediatra" na região.

O mediador da ONU citou o caso para pedir à Rússia e aos EUA que unam seus esforços para dar novo vigor à trégua na Síria e salvá-la "do colapso total".

"Faço um pedido à Rússia e aos EUA para que tomem uma iniciativa urgente para relançar a trégua, que, por enquanto, está em perigo", disse em entrevista coletiva após informar por teleconferência ao Conselho de Segurança da ONU sobre o resultado da terceira rodada de negociações de paz que terminou na quarta-feira.

O comitê internacional da Cruz Vermelha alertou que o norte da cidade de Alepo, na Síria, está à beira de um desastre humanitário. Marianne Gasser, chefe da missão da Cruz Vermelha na Síria, disse em comunicado que o ataque ao hospital, apoiado pela Cruz Vermelha e pela entidade Médicos Sem Fronteiras, " é inaceitável e, infelizmente, não é a primeira vez que os serviços médicos que salvam vidas foram atingidos". 

Dois grupos de posição ao governo - a Rede Revolucionária Síria e os Comitês de Coordenação Locais - culpam a Rússia pelo bombardeio. Até o momento, Moscou não se pronunciou a respeito.

"Nas últimas 48 horas, tivemos uma média de um sírio morto a cada 25 minutos", disse De Mistura na quarta-feira. "Um sírio é ferido a cada 13 minutos", complementou.

Segundo a Cruz Vermelha, o estoque de alimentos e medicamentos deve acabar logo e, em razão da escalada do conflito, não poderá ser reabastecido.

O hospital atingido era apoiado pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF). Com o atentado, dois médicos da organização morreram. Em nota, a diretora da MSF para a missão no território sírio, Muskilda Zancada, “condena categoricamente esse ataque revoltante a mais uma instalação médica na Síria”.

“Esse atentado devastador destruiu um hospital de vital importância em Alepo, e o principal centro de referência para cuidados pediátricos na região.”

O hospital oferecia, segundo a ONG, 34 leitos, sala de emergência, cuidados obstétricos, ambulatório, unidade de terapia intensiva e uma sala para a realização de operações. Além disso, contava com 8 médicos e 28 enfermeiras trabalhando em tempo integral.

Mais ataques. Pelo menos 34 pessoas morreram nesta quinta-feira pelos bombardeios e o disparo de projéteis na cidade síria de Aleppo, a maior do norte do país, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Desses mortos, pelo menos 20 civis, entre eles três menores, perderam a vida por ataques aéreos de aviões de guerra, de origem desconhecida, nos bairros de Bustan al Qasr e Al Kalasa.

A ONG não descartou que o número de vítimas mortais por esses bombardeios também porque há feridos em estado grave e desaparecidos.

O aumento das hostilidades em Alepo foi repercutido também pela agência de notícias oficial síria, Sana, que reportou que 7 civis morreram e outros 35 ficaram feridos em ações de organizações terroristas, no que a agência considerou como novas violações do cessar-fogo.

Uma fonte do comando da polícia de Alepo disse em um comunicado citado pela Sana que o grupo terrorista Frente Al-Nusra e outros ligados a essa organização foram os responsáveis pelos ataques em várias áreas da cidade.

Pelo menos 107 civis morreram, entre eles 20 menores de idade, desde 22 de abril na onda de violência que assola Alepo, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

A ONG afirmou que 61 das vítimas morreram em bombardeios de aviões de guerra em áreas como Al Mogair, Al Firdus, Al Sajur, Al Muasal, Bab al Neirab, Sukan Shababi e Al Ansari.

Outras 38 pessoas morreram pelo impacto de dezenas de foguetes de fabricação local e pela explosão de bujões de gás lançados contra áreas controladas pelo regime, como Nova Alepo, Al Manian, Al Mokambo, Al Ashrafie, Seif al Daula e Al Khalediya.

O OSDH acrescentou que oito civis morreram pelo disparo de projéteis por parte das forças governamentais nos distritos de Aqiud, Al Yazmati e Bustan al Qaser al Jarya.

Alepo está dividida, sendo que alguns bairros estão sendo controlados pelas autoridades sírias e outros estão em poder de facções islâmicas, apesar do cessar-fogo que vigora na Síria desde 27 de fevereiro.

O acordo de trégua foi aceito pelo governo em Damasco e pela Comissão Suprema para as Negociações, a principal aliança de oposição ao regime no país, mas o cessar-fogo não inclui os grupos armados considerados terroristas como Estado Islâmico e Frente Al-Nusra. /EFE, Reuters, Associated Press e Dow Jones Newswires

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