Bombardier tenta alijar Embraer de novo

A Bombardier pediu ajuda ao governo do Canadá para ganhar da Embraer uma nova concorrência de venda de jatos regionais para uma empresa aérea dos Estados Unidos. Desta vez, está em jogo uma encomenda de 60 a 75 aviões da Northwest Airlines Corp. Em abril, a Bombardier fechou um contrato de US$ 1,5 bilhão para fornecer 75 jatos à Air Wisconsin, uma subsidiária da United Airlines, depois de garantir um crédito subsidiado de US$ 1,1 bilhão do governo de Ottawa para financiar a operação. O governo brasileiro questionou a legalidade da operação na Organização Mundial de Comércio, que constituiu um ?panel? para examinar a queixa. Uma nova decisão canadense de ajudar a Bombardier a ganhar o contrato da Northwest certamente realimentará a disputa comercial entre os dois países, que já contaminou as relações bilaterais e ajudou a produzir o episódio da vaca louca. Em fevereiro passado, uma ação de Ottawa baseada numa não comprovada alegação de risco de contaminação do rebanho bovino brasileiro pela doença fechou durante três semanas os mercados do Canadá, Estados Unidos e México às exportações de carne brasileira. De acordo com o jornal The National Post, os ministros da Indústria, Brian Tobin, e das Relações Exteriores, Pierre Pettigrew, defenderam a concessão do novo financimento subsidiado à Bombardier. Um porta-voz da chancelaria canadense evitou comentar a posição do governo de Ottawa, mas confirmou que a Bombardier pediu assistência ao governo para garantir o contrato da Northwest. No ano passado, a OMC deu ganho de causa ao Canadá e autorizou o país a aplicar sanções comerciais contra o Brasil numa ação contra o programa de equalização de juros do Proex no financimento de exportações dos jatos regionais da Embraer. O Brasil ofereceu compensações ao Canadá, tentou uma solução negociada. Depois de vários encontros, Ottawa não aceitou a oferta. Mas, sob pressão de outras empresas canadenses com interesse no comércio com o Brasil, tampouco aplicou as represálias. Em lugar disso, abandonou o argumento sobre a retidão jurídica de sua posição e passou a praticar, de forma aberta, o mesmo pecado de subsidiar as exportações de aviões que acusara o Brasil de cometer na venda dos jatos regionais da Embraer. Mesmo assim, recentemente o Canadá iniciou uma nova ação na OMC, contestando a legalidade do novo programa do Proex para exportação dos aviões, que o governo brasileiro adotou depois da condenação da OMC, para tornar as operações de crédito oficial compatíveis com a decisão da organização internacional.

Agencia Estado,

25 Maio 2001 | 19h56

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