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REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Brasil e outros 10 países latinos exigem que Maduro impeça violência durante manifestações

Declaração conjunta pede que seja garantido o direito à manifestação pacífica; oposição e chavistas planejam tomar as ruas de Caracas nesta quarta-feira

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18 Abril 2017 | 05h00
Atualizado 18 Abril 2017 | 05h00

BOGOTÁ - Os governos do Brasil e de outros dez países da América Latina repudiaram nesta segunda-feira as mortes de seis pessoas nos protestos realizados na Venezuela nos últimos dias e pediram que seja evitado "qualquer ato de violência" nas manifestações convocadas para a quarta-feira, conforme informou a chancelaria da Colômbia.

"Manifestamos nosso profundo pesar e rejeição pela morte de seis cidadãos nos protestos que aconteceram na República Bolivariana da Venezuela nos últimos dias e expressamos nossa solidariedade e condolências a seus familiares", diz a mensagem conjunta divulgada em Bogotá.

A declaração está assinada por Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Peru e Uruguai.

A propósito das marchas convocadas para a próxima quarta-feira, tanto pelo oficialismo como pela oposição, os 11 países pedem ao governo do presidente Nicolás Maduro "que garanta o direito à manifestação pacífica, tal como consagra a Constituição".

Além disso, exigem que Maduro "impeça qualquer ação de violência contra os manifestantes".

Oposição. As manifestações contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, marcadas para esta quarta-feira, devem ser numerosas, de acordo com um relatório do Eurasia Group divulgado nesta segunda-feira.

O Eurasia lembra que, apesar da Semana Santa, os protestos contra o governo ocorreram quase todos os dias, em diferentes localidades da Venezuela. De acordo com o Foro Penal, 5 pessoas foram mortas e 470 detidas durante as manifestações, desde 5 de abril.

A empresa de consultoria ainda alerta que o governo Maduro pode usar qualquer truque à disposição para reduzir as manifestações desta semana, como fechar estações de metro e bloquear as principais vias de Caracas.

Mas o relatório da Eurasia pondera que "os últimos acontecimentos mostraram que a oposição está mais unida em torno da estratégia de manifestação que, combinada com o descontentamento social, significa que a dinâmica social pode estar se aproximando de um ponto de inflexão".

"As manifestações terão de ser massivas e sustentadas para que as principais figuras chavistas abandonem Maduro. Nesse ínterim, o presidente pode pedir por eleições regionais para distrair a oposição e aliviar a pressão sobre seu governo", opinam analistas do Eurasia.

Marcha chavista. O primeiro vice-presidente do governante Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello, anunciou nesta segunda-feira que 60 mil motoristas se mobilizarão no protesto chavista convocado para quarta-feira, em Caracas, e sairão de dois pontos do oeste da capital venezuelana.

São "60 mil motoristas que vão sair de El Valle e Caricuao. Queremos ver os líderes da oposição à frente de sua manifestação com suas atividades para derrubar o governo revolucionário", disse Cabello em entrevista coletiva transmitida pelo canal estatal "VTV".

A mobilização foi convocada no último sábado pelo vice-presidente executivo, Tareck el Aissami, para o mesmo dia em que a oposição já tinha anunciado que irá para o centro da capital partindo de 26 pontos diferentes, em rejeição ao governo do presidente Nicolás Maduro.

A aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) convocou os cidadãos a marcharem em direção à Defensoria Pública, no centro da cidade, onde tentaram chegar, sem sucesso, em outras cinco ocasiões, quando foram dispersados pelas forças de segurança.

A maioria dos pontos de saída da oposição está situada no município de Libertador, sede dos poderes públicos e governado pelo chavista Jorge Rodríguez, que proibiu atos opositores em sua localidade. / EFE

 

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