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REUTERS/Swoan Parker

Brasil já gastou mais de R$ 1,8 bilhão no Haiti

Para Ministério da Defesa, recursos usados deram oportunidade para que militares brasileiros treinassem e se preparassem melhor para situações de risco

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Tânia Monteiro / BRASÍLIA,
O Estado de S. Paulo

15 Fevereiro 2016 | 20h48

O governo brasileiro já gastou R$ 1,804 bilhão na missão de paz no Haiti desde 2004. A partir de 16 de maio, chegará a Porto Príncipe o que poderá ser o último contingente militar brasileiro a trabalhar no país depois de 12 anos de ações atendendo a pedidos da Organização das Nações Unidas (ONU).

No momento, 970 militares brasileiros estão no Haiti e um número igual os substituirá a partir de maio. Somente este ano serão gastos R$ 120 milhões. O Ministério da Defesa, porém, não considera os recursos usados no Haiti como gastos, mas sim como investimentos.

A justificativa é a de que, enquanto estão em missão, os militares têm oportunidade de adquirir conhecimentos e são treinados em situação real, deixando as forças mais aptas em caso de necessidade. A Defesa lembra ainda que, além da experiência que se adquire com o treinamento real, a ONU restitui 40% do valor que o Brasil paga para deslocamento, manutenção e emprego das tropas.

Presidente interino. No domingo, o presidente do Senado do Haiti, Jocelerme Privert, foi eleito presidente interino do país e fica no cargo, de maneira provisória, até 14 de maio, dez dias depois da data marcada para o segundo turno das eleições presidenciais. O grau de instabilidade política é o que levará o Conselho de Segurança da ONU a decidir se prorrogará ou não a missão de paz no país.

O 24.º contingente militar brasileiro começará o rodízio com os militares que estão atualmente em Porto Príncipe, finalizando a substituição de pessoal em 4 de junho. A operação terá duração de seis meses. Segundo o Exército, havia a expectativa, conforme a última resolução da ONU, de outubro, de encerrar a participação brasileira no contingente.

“Mas, conforme a evolução política do país, a decisão será tomada após e emissão de nova resolução do CS da ONU, a se reunir no segundo semestre”, informou o Exército. “Desta forma, preventivamente, o Exército brasileiro já iniciou os preparativos para a mobilização e preparo do Contbras 25.”

Dos 970 militares que irão para o Haiti, 850 são da Força Terrestre, a maior parte integrante das unidades militares da Capital Federal, do Centro-Oeste e do Triângulo Mineiro. Os demais 170 são do Grupamento de Fuzileiros Navais, do Rio de Janeiro.

Eles serão comandados pelo coronel José Arnon dos Santos Guerra, no Batalhão de Infantaria, e a Companhia de Engenharia de Força de Paz Brasileira terá à frente o tenente-coronel Renato Farias Bazi. Desde 2004, quando foi realizada a primeira missão de paz do Brasil no Haiti, 33 mil militares já passaram pelo país, sendo 27.298 do Exército, 5.571 da Marinha e 279 da Aeronáutica. 

O Brasil tem comando de toda a operação que engloba 21 países. O comandante da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) é o general Ajax do Porto Pinheiro.

A resolução do Conselho de Segurança da ONU estabelece que a missão termine em 15 de outubro, quando espera que um novo presidente haitiano já esteja exercendo seu mandato. O Haiti, porém, enfrenta uma escalada de violência iniciada às vésperas da data originalmente marcada para o segundo turno das eleições presidenciais, suspenso após protestos.

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