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Brasil participará de reunião de doadores da Síria em Londres

- Atualizado: 03 Fevereiro 2016 | 16h 52

Conferência tentará levantar cerca de US$ 9 bilhões para a população que permanece na Síria e para os refugiados em países da região; nota do Itamaraty não fala em valores, mas menciona doar alimentos e contribuição financeira ao Acnur

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representará o Brasil nesta quinta-feira, 4, em Londres, na Conferência Internacional de Apoio à Síria e Região. Além de Brasil, estarão representantes de cerca de 80 países e diversas organizações. A reunião foi confirmada em nota divulgada pelo Itamaraty. 

De acordo com o texto, a conferência tem por objetivo "ampliar a base de recursos para garantir assistência à população síria que permanece no país". Ajudará também a população refugiada acolhida por países da região, como a Turquia e Jordânia, para suprir necessidades emergenciais e assegurar seu acesso a oportunidades de trabalho e educação. 

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira

A reunião é presidida pela Grã-Bretanha e tentará reunir US$ 9 bilhões. Nesta quarta-feira, mais cedo, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que a comunidade internacional precisa fazer algo além de dar dinheiro à população síria. "Temos de entrar em acordo sobre ações concretas", disse ele, pedindo que os países forneçam oportunidades de empregos e educação aos refugiados nos países vizinhos. 

A nota do governo brasileiro não fala em valores específicos, mas afirma que o Brasil "deverá reiterar sua disposição de doar alimentos à Síria e a países vizinhos, além de anunciar contribuição financeira ao Acnur (agência da ONU para refugiados) para promover ações de proteção e assistência a refugiados". 

Segundo o comunicado, o governo deverá reafirmar seu apoio aos esforços do enviado das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, na busca de solução pacífica para o conflito. No entanto, quase ao mesmo tempo, Mistura anunciava, em Genebra, a "suspensão temporária" do processo de paz que, segundo ele, deverá ser retomado no dia 25.

Staffan de Mistura (E) lidera reunião com representantes do governo Assad em Genebra

Staffan de Mistura (E) lidera reunião com representantes do governo Assad em Genebra

"A participação brasileira na Conferência de Londres renova a solidariedade do Brasil com o povo sírio e com os países do entorno", afirma a nota do Itamaraty. Ela lembra que o Brasil esteve presente nas três conferências anteriores de apoio à Síria e região, realizadas pelo Kuwait em 2013, 2014 e 2015, quando ofereceu doações realizadas por meio do Acnur e do Unicef. 

"Em 2015, o Governo brasileiro prorrogou, por dois anos, sua política humanitária de emissão de vistos em favor de pessoas afetadas pelo conflito na Síria, já tendo acolhido mais de 2 mil refugiados de nacionalidade síria no Brasil", lembrou o comunicado. 

Entre os convidados, estarão também a chanceler alemã, Angela Merkel, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o primeiro-ministro do Líbano, Tammam Salam, e o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi. 

Emprego. Cameron apelou também por melhores laços comerciais entre a Jordânia e a União Europeia, e defende que os países vizinhos imponham quotas de empregos para sírios em certos setores.

Com a popularidade de Merkel caindo por sua decisão de dar as boas-vindas a centenas de milhares de imigrantes e refugiados, a Alemanha chega à reunião com o objetivo similar de limitar novas chegadas. "No longo prazo, a educação e o emprego devem contribuir para conter o fluxo de refugiados à Europa", disse o ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier.

O ministro de Desenvolvimento alemão, Gerd Muller, disse recentemente à imprensa de seu país que uma "aliança trabalhista" pode ajudar a criar meio milhão de empregos para refugiados em Jordânia, Turquia e Líbano. A esperança é que as políticas para impulsionar o emprego em geral também aliviem o crescente ressentimento da população local pela ajuda aos refugiados.

Educação. A conferência se concentrará em grande parte na educação, destacando que 700 mil crianças refugiadas não têm acesso à escolarização. "São necessários esforços e recursos concertados urgentes para salvar esta geração de crianças. É uma corrida contra o relógio", disse Peter Salama, diretor-geral da Unicef para o Oriente Médio e o Norte da África.

Diante do risco de que toda uma geração seja perdida, Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa ganhadora do prêmio Nobel da Paz, fez um pedido para que os doadores comprometam US$ 1,4 bilhão ao ano para educar as crianças refugiadas sírias.

Para conseguir tudo isso, os doadores terão de mostrar mais generosidade que no ano passado, quando a ONU e suas agências receberam apenas US$ 3,3 bilhões US$ 8,4 bilhões que haviam solicitado. / COM AFP 

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