Brasil pede oportunidade à ONU para discutir sanções com potências

País quer 'evitar que sejam tomadas medidas prejudiciais à busca de uma solução pacífica'

19 Maio 2010 | 15h10

RIO - O Brasil solicitou formalmente à Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira, 19, por meio de uma carta, a oportunidade para integrar as negociações entre os membros permanentes do Conselho de Segurança - EUA, França, China, Rússia e Reino Unido - e a Alemanha sobre as sanções contra o Irã para "evitar que sejam tomadas medidas prejudiciais a uma solução pacífica para a questão do programa nuclear".

 

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"Temos total confiança de que as cinco potências vão revisar a declaração conjunta com uma visão para abrir caminho, considerando questões relacionadas ao programa nuclear iraniano e coisas mais amplas de preocupação mútua, por meio do diálogo construtivo", diz a carta, assinada por Brasil e Turquia.

 

De acordo com a carta, o acordo de troca de combustível nuclear dá a "oportunidade de começar um processo com o objetivo de criar uma atmosfera positiva, construtiva e de não confrontação que leve a uma era de integração e cooperação."

 

Na terça, o assessor de assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, expressou o desejo brasileiro de fazer parte do diálogo. "Creio que seria normal que pelo menos em uma boa parte as negociações sejam abertas para o Brasil e para a Turquia. Seria normal e desejável", disse Garcia.

 

O pedido à ONU foi feito um dia após a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, anunciar que as potências nucleares aprovaram um rascunho da resolução que prevê novas sanções contra o Irã. O anúncio foi uma resposta ao acordo firmado entre a República Islâmica, o Brasil e a Turquia, que prevê a troca de urânio pouco enriquecido por material nuclear pronto para ser usado para fins pacíficos.

 

Pelo acordo, o Irã vai enviar 1.200 quilos de urânio enriquecido a 5% para a Turquia. Em troca, Teerã receberá 120 quilos de urânio enriquecido a 20%, combustível já pronto para ser usado em seu reator de pesquisas.

 

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Já o novo pacote de sanções do Conselho de Segurança - o quarto a ser aplicado contra os iranianos - expandiria o embargo à venda de armas ao Irã e também tomaria medidas contra o sistema bancário do país. Além disso, proibiria que o Irã realizasse algumas atividades no exterior, como a mineração de urânio e o desenvolvimento de mísseis balísticos, segundo um funcionário dos EUA.

 

As sanções são pretendidas pelas potências ocidentais, que suspeitam que o Irã busque secretamente armas nucleares, o que Teerã nega. O Brasil e a Turquia são membros não permanentes do Conselho de Segurança, sem poder de veto. O Irã já sofreu três rodadas de sanções no órgão, mas afirma que o acordo com esses países é uma mostra de boa vontade e abre caminho para a retomada das negociações com as potências.

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