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Brasil rejeita intervenção militar no Iraque para conter EI

ONU elabora nesta segunda uma resolução para enviar uma comissão de inquérito ao Iraque para avaliar crimes

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Jamil Chade, correspondente / Genebra,
O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2014 | 08h37

GENEBRA - O Itamaraty se posiciona ao lado de Rússia, China e Índia contra qualquer tipo de intervenção militar no Iraque sob o pretexto de combater o Exército Islâmico. Em um discurso nesta segunda-feira, 1, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, o governo brasileiro condenou as violações cometidas pelo grupo extremista e pediu que os responsáveis sejam levados à Justiça. Mas também pediu que a forma de combate ao grupo seja por meio de um apoio ao governo do Iraque.

A ONU vota nesta segunda uma resolução que enviará à região uma comissão de inquérito para avaliar os crimes. Na semana passada, um levantamento da entidade apontou que os extremistas estavam cometendo crimes contra a humanidade e crimes de guerra na Síria. Agora, a meta da ONU é poder ampliar a investigação também para o Iraque.

Nesta manhã, a ONU confirmou que 1,4 mil mortes foram registradas apenas em julho por conta dos extremistas, além de 850 mil refugiados.

Em discurso antes da votação, a embaixadora do Brasil nas Nações Unidas, Regina Dunlop, fez questão de "expressar a profunda preocupação" do Itamaraty diante da crise no norte do Iraque. "O Brasil condena os abusos e violações", declarou a embaixadora, acusando o grupo de atacar civis, jornalistas e perseguir cristãos.

Dunlop confirmou que o Brasil "apoia a implementação" de uma missão que investigue as violações cometidas pelos extremistas islâmicos.

Mas o governo deixa claro que a forma de frear o movimento não é uma nova intervenção. "A ONU deve apoiar o novo governo do Iraque em sua tarefa de promover a estabilidade no país e o respeito aos direitos humanos", disse a diplomata.

"A comunidade internacional tem um papel importante a desempenhar no combate à escalada de violência que atualmente ocorre no Iraque. Mas, como os países dos Brics já declararam em julho em Fortaleza, o atual contexto exige que intervenções que acabem aprofundando a crise devem ser evitadas", disse. "Todas as ações devem apoiar os esforços do governo do Iraque a superar essa crise."

O Brasil ainda pediu que o novo governo iraquiano "trabalhe com a sociedade para encontrar uma solução negociada para conciliar as diferentes perspectivas de todos os atores envolvidos".

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