1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Brasil se compromete a colaborar com a Venezuela no combate à crise

- Atualizado: 29 Janeiro 2016 | 21h 14

Reunidos em Brasília, chanceleres dos dois países anunciam intenção de aumentar fluxo comercial para auxiliar Caracas

O Brasil concordou nesta sexta-feira em montar uma aliança para ajudar a Venezuela a combater a grave crise que atravessa. Após uma reunião em Brasília para discutir a agenda de cooperação econômica e investimentos, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, e a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, anunciaram a criação de um grupo de trabalho para reaquecer o comércio entre os dois países.

Os ministros reconheceram que, nos últimos dois anos, houve uma “redução relevante” na corrente de comércio, mas disseram que aplicarão “novos mecanismos para torná-la mais representativa”.

Mauro Vieira recebe Delcy Rodriguez no Itamaraty para discutir comércio bilateral

Mauro Vieira recebe Delcy Rodriguez no Itamaraty para discutir comércio bilateral

O encontro ocorreu na manhã desta sexta-feira, na capital, em clima cordial – ainda que, em dezembro, o Itamaraty tenha divulgado notas duras pedindo o respeito à democracia após as eleições legislativas venezuelanas (vencidas pela oposição), o que teria surpreendido Caracas e causado um desconforto na relação bilateral. O tom incisivo, no entanto, não foi discutido entre os dois ministros.

Delcy pediu que empresas brasileiras, como as dos setores farmacêutico, alimentício e de higiene, tenham maior participação na economia venezuelana, salientando que o Brasil tem um “papel estratégico” para aumentar os investimentos.

“O comprometimento do Brasil com a região nos inspira um momento de esperança em um futuro de melhorias e enriquecimento”, declarou a chanceler venezuelana.

Dívida. A Venezuela tem uma dívida de US$ 2 bilhões com empresas brasileiras. Na reunião, os dois ministros comprometeram-se em quitar a dívida (sem, no entanto, estabelecer prazos) e indicaram interesse em aumentar a importação de remédios do Brasil. O ministro da Economia Produtiva da Venezuela, Luis Salas, reuniu-se com representantes do grupo Eurofarma para tratar da questão.

Outra intenção da Venezuela seria reformular a atual lei sobre a exploração petroquímica e do ouro, de forma a tornar mais efetivas as parcerias com investidores estrangeiros.

Sobre o decreto de emergência econômica apresentado pelo presidente Nicolás Maduro – e rejeitado em votação pela Assembleia Nacional, controlada pela oposição –, Delcy afirmou que “é das conjunturas difíceis que surgem importantes consequências” e está em estudo um acordo para que “sejam exploradas as melhores potencialidades do país”.

O ministro Mauro Vieira disse que o Brasil acompanha com “grande interesse” a evolução da situação da Venezuela e Brasília pretende “retomar, expandir e diversificar” o fluxo de comércio entre os dois países.

“A posição brasileira tem como centro a promoção do diálogo democrático, tendo presente o imperativo de pleno respeito à vontade do povo venezuelano, ao estado de direito, nos termos estabelecidos pela legislação e pela própria Constituição da Venezuela”, declarou o chanceler após a reunião.

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em InternacionalX