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AFP / ANDRESSA ANHOLETE

Brasil se compromete a colaborar com a Venezuela no combate à crise

Reunidos em Brasília, chanceleres dos dois países anunciam intenção de aumentar fluxo comercial para auxiliar Caracas

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Luísa Martins,
O Estado de S. Paulo

29 Janeiro 2016 | 21h04

O Brasil concordou nesta sexta-feira em montar uma aliança para ajudar a Venezuela a combater a grave crise que atravessa. Após uma reunião em Brasília para discutir a agenda de cooperação econômica e investimentos, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, e a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, anunciaram a criação de um grupo de trabalho para reaquecer o comércio entre os dois países.

Os ministros reconheceram que, nos últimos dois anos, houve uma “redução relevante” na corrente de comércio, mas disseram que aplicarão “novos mecanismos para torná-la mais representativa”.

O encontro ocorreu na manhã desta sexta-feira, na capital, em clima cordial – ainda que, em dezembro, o Itamaraty tenha divulgado notas duras pedindo o respeito à democracia após as eleições legislativas venezuelanas (vencidas pela oposição), o que teria surpreendido Caracas e causado um desconforto na relação bilateral. O tom incisivo, no entanto, não foi discutido entre os dois ministros.

Delcy pediu que empresas brasileiras, como as dos setores farmacêutico, alimentício e de higiene, tenham maior participação na economia venezuelana, salientando que o Brasil tem um “papel estratégico” para aumentar os investimentos.

“O comprometimento do Brasil com a região nos inspira um momento de esperança em um futuro de melhorias e enriquecimento”, declarou a chanceler venezuelana.

Dívida. A Venezuela tem uma dívida de US$ 2 bilhões com empresas brasileiras. Na reunião, os dois ministros comprometeram-se em quitar a dívida (sem, no entanto, estabelecer prazos) e indicaram interesse em aumentar a importação de remédios do Brasil. O ministro da Economia Produtiva da Venezuela, Luis Salas, reuniu-se com representantes do grupo Eurofarma para tratar da questão.

Outra intenção da Venezuela seria reformular a atual lei sobre a exploração petroquímica e do ouro, de forma a tornar mais efetivas as parcerias com investidores estrangeiros.

Sobre o decreto de emergência econômica apresentado pelo presidente Nicolás Maduro – e rejeitado em votação pela Assembleia Nacional, controlada pela oposição –, Delcy afirmou que “é das conjunturas difíceis que surgem importantes consequências” e está em estudo um acordo para que “sejam exploradas as melhores potencialidades do país”.

O ministro Mauro Vieira disse que o Brasil acompanha com “grande interesse” a evolução da situação da Venezuela e Brasília pretende “retomar, expandir e diversificar” o fluxo de comércio entre os dois países.

“A posição brasileira tem como centro a promoção do diálogo democrático, tendo presente o imperativo de pleno respeito à vontade do povo venezuelano, ao estado de direito, nos termos estabelecidos pela legislação e pela própria Constituição da Venezuela”, declarou o chanceler após a reunião.

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