Brasil teria alertado argentinos sobre atentado de 1994

Os serviços de inteligência do Brasil teriam informado seus colegas argentinos sobre a possibilidade de um atentado contra um alvo da comunidade judaica em Buenos Aires em 1994. A informação, publicada nesta quinta-feira pelo jornal Página 12, foi fornecida pelo agente da Side (o serviço secreto argentino) Patricio Finnen, que também disse que os "arapongas" locais não prestaram atenção aos dois alertas por escrito provenientes do Brasil. O atentado, que acabou acontecendo, destruiu a sede da associação beneficente judaica AMIA, causando a morte de 85 pessoas, além de mais de 300 feridos. Anos após o atentado, durante uma reunião com integrantes da Side, Finnen reclamou sobre a falta de atenção dos serviços secretos argentinos: "O que queriam, que nos dessem o alerta com uma escola de samba?". Os investigadores do caso afirmam que a Side, junto com a Polícia Federal e a Polícia da província de Buenos Aires criaram um verdadeiro labirinto de pistas falsas, tanto para encobrir sua incompetência como sua colaboração com a preparação do atentado. Segundo Cláudio Lifschitz, ex-secretário do juiz Juan José Galeano, responsável pelo caso AMIA, "as irregularidades não são fortuitas. Foram armadas para que a Justiça não chegue a lugar algum".

Agencia Estado,

17 Julho 2003 | 19h47

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