Lionel CHAMOISEAU/AFP
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Brasileira que furacão isolou no Caribe desiste de esperar voo da FAB

Regiane conseguiu lugar num voo que saiu de Saint Martin na noite de segunda-feira e desembarcou no Panamá

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2017 | 16h57

SOROCABA -  A paulistana Regiane Schwartz, de 51 anos, um dos 65 cidadãos brasileiros que ficaram isolados em ilhas do Caribe após a passagem do furacão Irma, desistiu de esperar pelo avião de resgate da Força Aérea Brasileira (FAB). Regiane conseguiu lugar num voo que saiu de Saint Martin na noite de segunda-feira (11) e desembarcou no Panamá, conforme informou o irmão dela, Alexandre Schwartz. “Agora ela está tentando pegar um voo do Panamá para São Paulo. Nesse momento, ainda não sei se ela embarcou para o Brasil”, disse, na tarde desta terça-feira (12). Segundo ele, a irmã pegou o voo por conta própria. “Acho que ela desistiu de esperar pelo resgate.”

 No domingo, em redes sociais, Regiane reclamava da demora do governo brasileiro em providenciar o resgate. “Acaba de pousar um avião aqui na ilha. Estão fazendo lista para tirar as pessoas daqui, mas a preferência são os americanos”, escreveu. “Isso aqui está virando um campo de guerra, as pessoas brigando para colocar o nome na lista. Os americanos já foram retirados da ilha nesta madrugada. Tiraram só os americanos. Ficamos olhando eles saírem”, relatou.

   A família da médica gaúcha Mariana Fischer Costa, de 33 anos, não tinha conseguido contato com ela nesta terça-feira (12), mas já sabe que a ginecologista deixou a ilha de Saint Martin na noite de domingo (10) e provavelmente não vai embarcar no avião da FAB, que seria enviado para resgatar os brasileiros. De acordo com a prima Fernanda Fischer, a médica, o marido Rafael e a filha Giovana, de três anos, conseguiram sair da região mais atingida num avião da aeronáutica francesa, já que eles têm nacionalidade italiana. A família foi levada para a ilha de Martinica, no sul do Caribe, que não foi fortemente impactada pelo furacão. “Conseguimos sair. Estamos na Martinica! Avisa todo mundo. Escapamos!”, diz a última mensagem da médica, enviada pelo aplicativo Whatsapp.

 Mariana está grávida de quatro meses e viajou para o Caribe em férias com o marido e a filha no dia 1.o de setembro. A família tinha marcado voo de retorno para a próxima quinta-feira, mas não teve tempo de refazer os planos antes da passagem do Irma. Segundo Fernanda, eles relataram momentos de pânico, mas informaram os familiares que estavam bem. “Está tudo destruído, mas, graças a Deus, com a gente não aconteceu nada”, avisou Mariana, num dos raros momentos em que conseguiu comunicação.

 Fernanda acredita que a prima, o marido e a filha não embarcarão no avião de resgate brasileiro. “Ainda não conseguimos falar com eles para ter mais detalhes, mas como o avião da FAB deve descer em Saint Martin e eles estão em Martinica, acredito que virão por conta própria”, disse.

 De acordo com o Ministério de Relações Exteriores, 65 brasileiros ainda aguardam resgate nas ilhas do Caribe atingidas pelo furacão: 32 em Saint Martin, sendo 30 no lado holandês e dois em território francês, 22 nas Ilhas Virgens Britânicas e 11 nas Ilhas Turcas e Caicos. Como a família de Mariana, é possível que outros brasileiros tenham conseguido se deslocar para outra região por conta própria.

 É o caso da cearense Maria Ozana Guterres Herbol, grávida de oito meses, e que mora com o marido e a filha de 4 anos em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. Na tarde desta segunda-feira (11), ela e a filha foram resgatadas por um avião da empresa em que seu marido trabalha e foram levadas para a Ilha de Santa Lúcia. Sylvia Guterres, irmã de Ozana e moradora de Fortaleza (CE), disse que a família passou momentos de desespero, sem notícias dela. “Sabíamos que o furacão tinha destruído tudo por lá, mas a gente não conseguia falar com ela. Foram 24 horas de puro desespero.”

Quando a irmã deu notícias, foi para contar sobre a destruição. Ela abrigara nove pessoas em sua casa, incluindo quatro crianças, e sobreviviam dividindo a pouca água e comida. Ozana é casada com o holandês Niels Herbold, com quem vive há três anos na ilha, morando na parte alta de Tortola. Com o caos na cidade, o marido providenciou a retirada dela e da filha do local. Segundo a irmã, Ozana teve de esperar quatro horas pelo embarque e o voo até Santa Lúcia durou cerca de uma hora e meia. “Sabemos que elas estão bem, pois essa ilha não foi atingida. Estamos ansiosos para que ela venha nos ver no Brasil.”

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