AP Photo/Manuel Balce Ceneta
AP Photo/Manuel Balce Ceneta

Bush filho defende papel da imprensa nos EUA

Fazendo críticas sem citar o nome de Donald Trump, o ex-presidente afirmou que mídia deve cobrar governantes e é 'essencial para a democracia'

O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2017 | 19h20

WASHINGTON - O ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush criticou indiretamente as declarações contra a imprensa do atual presidente Donald Trump.

O 43° presidente - que teve alguns conflitos com a imprensa durante seus dois mandatos na Casa Branca de 2001 a 2009 - rebateu as acusações de Trump contra vários meios de comunicação, chamados pelo atual presidente de "inimigos do povo", sem citar o nome do novo ocupante da Casa Branca.

"Eu considero a mídia indispensável para a democracia. Precisamos da mídia para que pessoas como eu prestem contas", disse Bush ao programa "Today" do canal NBC, em sua primeira entrevista desde a posse de Trump. "O poder pode ser muito viciante e corrosivo, e é muito importante que a mídia possa pedir aos que abusam do poder que prestem contas", disse Bush.

O ex-presidente também considerou que as críticas sistemáticas contra a imprensa americana minam os esforços do país para promover a democracia e uma imprensa livre ao redor do mundo.

Desde que assumiu o poder em janeiro, Trump mantém uma intensa batalha com os meios de comunicação, que já chamou de "desonestos" e "mentirosos". Também acusou grandes veículos, como o canal CNN e o jornal The New York Times, de "inimigos do povo americano". 

O ex-presidente também defendeu a política migratória no país. "Eu defendo uma política migratória de amparo e respeito à lei", disse Bush quando foi perguntado se era favorável ao decreto, agora suspenso pela Justiça, que vetava temporariamente a entrada de refugiados e cidadãos de sete países de maioria muçulmana nos EUA. 

Bush filho defendeu que para vencer o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) os EUA devem "projetar força", mas preferiu não opinar se a política migratória pode influenciar ou não no processo, e destacou ser importante que todos os americanos reconheçam que uma das forças do país é ser um lugar onde as pessoas podem ter qualquer ou nenhuma religião. "Eu entendi desde o início que esse é um conflito ideológico e que as pessoas que matam inocentes não são religiosas. Querem promover uma ideologia e já enfrentamos esse tipo de ideologia no passado." / AFP e EFE

 

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