Bush pode perder maioria no Senado

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o vice-presidente, Dick Cheney, trabalhavam contra o tempo nesta terça-feira para evitar que o veterano senador republicano Jim Jeffords troque de partido e passe o controle do Senado para os democratas. Tal mudança acarretaria profundas implicações ao equilíbrio de poder no Senado, atualmente dividido ao meio entre os dois partidos, assim como a aplicação da agenda legislativa de Bush. O partido com maioria controla a entrada dos projetos de lei nas comissões e no Senado dos Estados Unidos, além de ostentar a presidência das comissões. "Estou considerando muitas opções. Farei um anúncio amanhã em Washington", disse o senador, eleito pelo Estado de Vermont. Jefford tem 67 anos e preside uma comissão na qual os partidos normalmente votam em bloco nas decisões mais importantes. Seu relacionamento com a Casa Branca está estremecido. De acordo com fontes, ele reuniu-se primeiro com Cheney e depois com Bush. Fontes republicanas disseram sob condição de anonimato que Bush pediu a Jeffords que continuasse no partido, mas o senador recusou-se a dar garantias. Funcionários do alto escalão da Casa Branca estavam reunidos na noite de hoje para discutir uma estratégia para a manutenção de Jeffords na bancada republicana e para definir como lidar com a derrota política no caso de ele abandonar o partido. Um congressista republicano que conversou recentemente com Jeffords disse que o senador estava preocupado com o declínio no número e na influência dos republicanos moderados nos últimos anos. "É nisso que ele está pensando agora", disse o republicano, que pediu para não ser identificado. Jeffords parece ter grande influência no atual Senado. Além de presidir a comissão parlamentar que trata sobre a legislação de saúde e educação no país, ele tem um assento na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado norte-americano, devido à sua posição mais maleável com relação às políticas comerciais e tarifárias dos Estados Unidos. Por ser um republicano que ocasionalmente vota ao lado dos democratas, ele também está em posição de impor condições à Casa Branca e aos líderes republicanos. Jeffords tem ainda a opção de tornar-se independente, apesar de não ter dado nenhuma indicação de que pretende fazer isso. Fontes democratas contaram sob condição de anonimato que ocorreram recentes reuniões com Jeffords, nas quais foi debatida até mesmo a possibilidade de ele receber a presidência de alguma comissão, possivelmente aquela já ocupada atualmente por ele. Ao ser perguntado sobre seus planos, Jeffords foi vago. "Muitas pessoas querem que eu faça coisas diferentes." Apesar disso, ainda é incerto se Jeffords pretende realmente debandar do partido que o abrigou por quase um quarto de século no Congresso ou se está demonstrando publicamente sua irritação com o tratamento dispensado a ele pela Casa Branca e pela maioria republicana no Senado. Jeffords irritou a Casa Branca quando recusou-se a apoiar a promessa de campanha de Bush de cortar US$ 1,6 trilhões do Orçamento em 10 anos. Ele ficou ao lado de um grupo bipartidário de parlamentares que forçou mudanças no Senado. O resultado foi a primeira grande derrota política da nova administração. Pouco depois, Jeffords não foi convidado para a cerimônia de entrega do prêmio Professor do Ano, quando a Casa Branca laureou um educador de Vermont, em uma atitude vista por muitos como um troco político. Além disso, alguns assessores republicanos comentam nos bastidores que a Casa Branca retaliaria novamente ao tentar mudar um sistema de apoio diário que beneficia agricultores de Vermont e do nordeste dos Estados Unidos.

Agencia Estado,

22 Maio 2001 | 21h49

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