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Califado islâmico pode intensificar tensões entre grupos militantes

O Estado de S. Paulo

30 Junho 2014 | 09h 25

Para especialistas, declaração do Isil pode provocar lutas internas entre os insurgentes sunitas que lutam contra premiê do Iraque

Com a declaração de um califado islâmico no Iraque e na Síria, o grupo de insurgentes sunitas Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isil, na sigla em inglês), que agora se denomina Estado Islâmico, exige fidelidade dos muçulmanos de todo o mundo, movimento que pode intensificar as tensões com outros grupos militantes.

A declaração feita no domingo 29, o primeiro dia do mês sagrado do Ramadã, pode dar início a uma onda de confrontos envolvendo facções militantes sunitas que formam uma frouxa aliança para realizar ações em todo o Iraque. O porta-voz do Isil declarou que o chefe do grupo, Abu Bakr al Bagdadi, é o líder do novo califado e convocou os muçulmanos, não apenas os que estão em áreas sob seu controle, a jurar lealdade a ele.

"A legalidade de todos os emirados, grupos, Estados e organizações se torna nula com a expansão da autoridade do califa e a chegada de suas tropas a suas áreas", declarou o porta-voz Abu Mohammed al-Adnani em mensagem de áudio postada na internet. "Ouçam seu califa e o obedeçam. Apoie nosso Estado, que cresce a cada dia."

O califado é um sistema político que governou a comunidade muçulmana desde o nascimento do Islã com o Profeta Maomé e sobreviveu, em diferentes formas e lugares, até o fim do califado otomano.

Al-Adnani não deu uma definição muito clara a respeito do território do novo Estado, que vai do norte da Síria até a província iraquiana de Diyala, a nordeste de Bagdá, e abrange a fronteira que já estava em grande parte sob o controle do Isil. O grupo diz que busca apagar as fronteiras nacionais do Mediterrâneo até o Golfo Pérsico e fazer com que a região volte a ser um califado.

Especialistas preveem que a declaração pode provocar lutas internas entre os militantes sunitas que uniram forças com o Isil em lutas contra o governo xiita do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki. "Agora, os insurgentes no Iraque não têm desculpa para trabalhar com o Isil se esperam compartilhar o poder com o grupo", disse Aymenn al-Tamimi, analista especializado em militantes islâmicos no Iraque e na Síria. "A perspectiva de lutas internas no Iraque aumenta, sem dúvida."

Na Síria, combatentes de grupos militantes islamitas fizeram uma parada na província de Raqqa para celebrar a declaração do califado islâmico. O Isil postou fotos na Internet de pessoas agitando bandeiras pretas em carros e apontando armas para o alto, afirmou o serviço de monitoramento SITE.

Para analistas, o grupo é uma ameaça às fronteiras, está aumentando a violência regional e ampliam seu alcance e apoio por meio de uma sofisticada campanha de mídia. / AP e REUTERS