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Cameron defende no Parlamento permanência na UE

Premiê discursou exaltando acordo que ‘devolveu a Londres poderes sobre economia e imigração

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O Estado de S. Paulo

22 Fevereiro 2016 | 22h36

LONDRES - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, defendeu nestya segunda-feira as vantagens de permanecer numa União Europeia “reformada”, ante um Parlamento no qual mais de uma centena de deputados expressaram sua intenção de fazer campanha para romper os laços com o bloco.

A maioria dos deputados que aposta na “Brexit” (saída britânica) é de membros do Partido Conservador dissidentes da linha oficial, entre eles o prefeito de Londres, Boris Johnson, que não perdeu a oportunidade de criticar o acordo obtido na sexta-feira em Bruxelas.

Johnson um dos líderes do grupo eurocético, que pretende votar pela saída no referendo de 23 de junho, pôs em dúvida, durante uma tensa sessão, que o pacto com os 27 países-membros da UE tenha devolvido alguma “soberania” a Londres.

Cameron respondeu às críticas destacando que o acordo “devolve poderes em economia e imigração” e, principalmente, afasta definitivamente o país do propósito de forjar uma união cada vez mais estreita.

“Conseguimos um status especial e há a oportunidade de seguir construindo sobre o que já temos, proteger nossa gente e impulsionar nossa prosperidade. Essa é a opção que deveríamos eleger”, afirmou.

Cameron combateu a ideia de que votar pela saída da UE poderá servir para forçar Bruxelas a uma negociação mais profunda”. “Esta decisão é vital para o futuro de nosso país e devemos deixar claro que é uma decisão final”, disse Cameron. “Deixar a UE ameaçaria a nossa economia e segurança nacional.”

“Quando se trata dos empregos das pessoas, não basta dizer que tudo ficará bem da noite para o dia e nos organizaremos”, afirmou o premiê, culpando os partidários do “Brexit” de não pensar nas consequências.

“Acredito que nas próximas semanas teremos de estudar atentamente as consequências econômicas que teria a saída”, afirmou. “Somos um grande país e, seja qual for a decisão que tomemos, continuaremos grandes. Mas temos de escolher entre ser maiores em uma UE reformada ou dar um salto no vazio.”

Cameron aproveitou a oportunidade para atingir o prefeito Johnson, um dos políticos mais cotados para suceder ao premiê, que anunciou no domingo que apoia a saída da Grã-Bretanha da UE.

“Não vou brigar por outro mandato, não tenho outra ambição do que conseguir o melhor para o meu país”, afirmou sem mencionar Johnson, cujo posicionamento foi atribuído por muitos observadores a cálculos políticos.

Em um artigo publicado ontem pelo The Daily Telegraph, Johnson explica que o referendo “é uma oportunidade única na vida de realizar mudanças reais” nas relações de Londres com seus vizinhos europeus.

Segundo o jornal The Times, metade dos 330 deputados conservadores ignorarão o apelo de Cameron.

O anúncio da data do referendo para 23 de junho marcou o início de uma campanha difícil. De acordo com pesquisas, a metade dos britânicos deseja continuar na União Europeia e a outra metade abandoná-la.

Defendendo vigorosamente o “sim”, Cameron explicou aos parlamentares que, no âmbito do acordo obtido em Bruxelas, a Grã-Bretanha não terá de financiar os países da zona do euro que atravessam problemas; suas empresas não serão discriminadas por não utilizarem o euro; terão novos poderes para deportar criminosos europeus que entrarem no país e poderão limitar a sete anos alguns benefícios sociais aos imigrantes.

Em meio à preocupação sobre a possível saída da Grã-Bretanha do bloco europeu, a libra sofreu ontem sua maior baixa em seis anos. Os títulos do governo também tiveram uma queda após Johnson – uma figura importante do Partido Conservador – manifestar seu apoio ao “Brexit”. Johnson, prefeito de Londres desde 2008, disse que os que defendem a permanência no bloco são os mesmos que quiseram que o país fizesse o “catastrófico erro” de aderir ao euro.

A vitória do “sim” no referendo de 23 de junho não apenas transformará o futuro da Grã-Bretanha como também abalará a União Europeia, que vem lutando para manter sua unidade em meio a crises financeiras e de imigração, que perderia sua segunda maior economia e uma das principais potências militares. / EFE e REUTERS

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