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Cameron retira Malvinas de diálogo com Macri

- Atualizado: 21 Janeiro 2016 | 20h 57

Assunto que opõe Grã-Bretanha e Argentina não é tratado em encontro dos líderes durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça

Tão logo acabou ontem na Suíça a reunião entre o presidente argentino, Mauricio Macri, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, os dois países emitiram comunicados em tom amistoso inédito nos 12 anos de kirchnerismo. Ambos saudaram a reaproximação em vários temas, mas não falaram sobre as Ilhas Malvinas (Falklands para os britânicos), cuja soberania Londres classificou como inegociável pelo desejo dos habitantes.

"O primeiro-ministro foi claro que nossa posição segue sendo a mesma e o recente plebiscito foi claro sobre o desejo dos moradores de serem britânicos”, afirmou a embaixada britânica em Buenos Aires. Em 2013, 98% dos habitantes das ilhas, 1.650 votantes, escolheram ficar com Londres. A Argentina invadiu as ilhas em 1982, em uma guerra de 73 dias que terminou com 649 argentinos e 255 britânicos mortos.

Cameron e Macri se reúnem em Davos e discutem várias questões, menos Malvinas
Cameron e Macri se reúnem em Davos e discutem várias questões, menos Malvinas

Mesmo com a porta fechada no tema mais sensível entre os países, Macri saiu satisfeito do encontro no Fórum Econômico Mundial, pois levou sinais de que Londres ajudará nas reformas econômicas que ele implementou em seu primeiro mês de governo. Além de abrir importações e exportações, o argentino desvalorizou o peso em 30% ao liberar o câmbio controlado desde 2011. Ele conseguiu manter a cotação estável, sem uma corrida no mercado paralelo.

A principal preocupação da nova administração argentina, segundo o ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay disse ao Estado, é controlar a inflação, que consultorias estimam em cerca de 40% no acumulado dos últimos 12 meses.

O governo admite que houve um salto desde que Macri assumiu e um índice oficial deve demorar oito meses em ser divulgado. Em março, a renegociação de aumentos com os sindicatos será vital para a estabilidade inicial do governo.

Londres prometeu enviar um grupo de empresários no segundo semestre para avaliar investimentos em infraestrutura. Petróleo, gás e ciência também estiveram entre os temas discutidos. Segundo o governo argentino, Cameron convidou Macri para um seminário em Londres sobre transparência em gestão e luta contra a corrupção.

“Conversemos, com nossas diferenças e mantendo nossa reivindicação, mas dialoguemos”, afirmou Macri, que esteve acompanhado do deputado Sergio Massa, o ex-kirchnerista que ficou em terceiro lugar na última eleição, com 21,3% dos votos e deve garantir ao presidente governabilidade na Câmara, pelo menos até a eleição parlamentar de 2017. Ele justificou a presença de Massa por considerar as Malvinas uma questão de Estado, prevista na Constituição.

EUA. O líder argentino também se encontrou com o vice-presidente americano, Joe Biden, para falar da disputa com os fundos credores que não aceitaram a renegociação da dívida e conseguiram na Justiça americana afastar a Argentina do mercado de crédito.

A equipe de Macri espera que a reaproximação possa ajudar os argentinos a conseguir créditos que permitam aumentar as reservas do Banco Central, hoje em US$ 25,5 bilhões e, assim, manter o câmbio estável. Um empréstimo bancário de US$ 6 bilhões com essa finalidade deve ser anunciado na próxima semana. A Casa Rosada aceitou que o FMI fiscalize essas contas, o que ontem rendeu a Macri críticas de opositores.

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