EFE/Genry Bautista/AGENCIA ANDINA
EFE/Genry Bautista/AGENCIA ANDINA

Caminhoneiro danifica parte das milenares Linhas de Nazca, no Peru

Ministério da Cultura do país diz que motorista será acusado criminalmente pelo dano a este Patrimônio da Humanidade e pode ser condenado a até 6 anos de prisão; administrador do sítio arqueológico garante que área será recuperada

O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2018 | 12h00

LIMA - Os milenares geoglifos do sul do Peru, conhecidos como Linhas Nazca, foram danificados por um caminhão que entrou ilegalmente neste sítio Patrimônio da Humanidade, cujo motorista será acusado criminalmente.

Linhas de Nazca: quatro formas de visitar

O veículo entrou no Pampas de Nazca no dia 27 de janeiro na altura do quilômetro 424 da Rodovia Panamericana Sul, apesar da sinalização, "afetando a superfície do pampa, incluindo parte de três geoglifos de linhas retas", indicou o Ministério da Cultura.

"Os vigilantes do ministério da Cultura, encarregados deste sítio arqueológico, detiveram o infrator, apresentando queixa à Polícia Nacional do Peru de Nazca", informou o ministério. 

O motorista, identificado como Jainer Flores, de 40 anos, deixou marcas em uma área de 5 mil metros quadrados. Ele foi preso e colocado em liberdade condicional pouco depois. Flores é acusado de crimes contra monumentos arqueológicos, e pode ser condenado a até seis anos de prisão.

Na quinta-feira, o ministério anunciou que apesar dos danos as linhas poderão ser reparadas. 

Do alto, as Linhas de Nazca

"O caminhão deixou danos de nível médio, mas que são reparáveis. Temos pessoas treinadas para restabelecer a superfície do terreno e refazer os traços dos geoglifos danificados", afirmou Johnny Isla, responsável do sítio arqueológico, ao jornal local El Comércio. 

As Linhas Nazca já foram afetadas anteriormente. Em setembro de 2015, um homem entrou e escreveu seu nome em um dos geoglifos. Ele foi preso e colocado à disposição da justiça.

Em 2014, ativistas do Greenpeace entraram neste Patrimônio da Humanidade, na área onde o geoglifo de colibris está localizado, e colocaram 45 telas amarelas com a mensagem: "Time for Change! The future is renewable, Greenpeace" (Tempo de mudança! O futuro é renovável, Greenpeace).

No Facebook, a página Nasca de Nasca, que compartilha informações da região, publicou um vídeo que mostra o caminhão poucos minutos depois da invasão ao sítio arquelógico (veja abaixo).

O ato aconteceu durante a Conferência da ONU sobre o clima realizada em Lima, em dezembro de 2014.

As Linhas de Nazca são geoglifos de mais de 2.000 anos de idade com figuras geométricas e de animais, que só podem ser apreciadas do alto. Seu real significado é um enigma: alguns pesquisadores as consideram um observatório astronômico e outros um calendário. / AFP e AP

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