Andrew Testa/The New York Times
Andrew Testa/The New York Times

Campanha de Trump obteve dados privados de 50 milhões de usuários do Facebook, segundo jornais

Com informações dos internautas, empresa de análise de dados Cambridge Analytica criou sistema para influenciar escolhas nas urnas, dizem jornais 'The New York Times' e  'The Observer', de Londres

O Estado de S.Paulo

17 Março 2018 | 20h05

LONDRES - A empresa de análise de dados Cambridge Analytica colheu informações privadas de mais de 50 milhões de usuários do Facebook no desenvolvimento de técnicas para beneficiar a campanha eleitoral do presidente americano, Donald Trump, em 2016, informaram neste sábado, 17, os jornais The New York Times e  The Observer, de Londres.

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Uma análise conjunta dos diários, que citaram ex-funcionários, associados e documentos da Cambridge Analytica, apontou que a violação de dados foi uma das maiores da história do Facebook. A rede social anunciou na noite de sexta-feira que suspendeu a Cambridge Analytica depois de verificar que a política de privacidade de dados foi mesmo violada.

Também foram suspensas as contas da organização matriz da Cambridge Analytica, a Strategic Communication Laboratories, assim como a do psicólogo da Universidade de Cambridge Aleksandr Kogan e de Christopher Wylie, que dirigem uma empresa chamada Eunoia Technologies, que participou do esquema.

A Cambridge Analytica foi financiada pelo multimilionário americano Robert Mercer, um dos principais doadores do Partido Republicano, com a quantia de US$ 15 milhões. Segundo o Observer, Steve Bannon - que foi um dos principais assessores de Trump até ser despedido no ano passado - era o diretor da empresa.

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O Observer publicou que a empresa usou os dados, colhidos sem autorização dos usuários no início de 2014, para construir um programa de software capaz de prever e influenciar as escolhas nas urnas.

O artigo do diário britânico citou o delator Christopher Wylie da Cambridge Analytica, que trabalhou com Kogan obter os dados, dizendo que o sistema poderia avaliar eleitores de modo a direcionar anúncios políticos personalizados.

Os mais de 50 milhões de perfis representavam cerca de um terço dos usuários ativos da América do Norte e cerca de um quarto dos eleitores em potencial dos EUA na época, disse o jornal.

“Exploramos o Facebook para colher perfis de milhões de pessoas e construímos modelos para explorar o que sabíamos sobre eles e atacar seus medos internos. Essa foi a base sobre a qual toda a empresa foi construída”, disse Wylie segundo citação do Observer

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Em comunicado, um porta-voz da Cambridge Analytica negou qualquer irregularidade e disse que nenhum dado irregular foi usado pela empresa nos serviços prestados para a campanha de Trump.

A procuradora-geral da Massachusetts anunciou que abriria uma investigação após os relatos da imprensa. "Os moradores de Massachusetts merecem respostas imediatas do Facebook e da Cambridge Analytica", escreveu Maura Healey em sua conta Twitter. 

A Comissão de Informação do Reino unido também anunciou neste sábado que está conduzindo uma investigação sobre as atividades da Cambridge Analytica. / REUTERS, AP e AFP

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