AFP PHOTO / MANDEL NGAN
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Campanha de Trump teve contato com russos antes das eleições, diz 'NYT'

Jornal aponta que. segundo funcionários e ex-funcionários do governo, conversas ocorreram quando Moscou tentava influenciar a disputa presidencial americana

O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2017 | 01h00

WASHINGTON - O jornal The New York Times informou na terça-feira que ligações interceptadas mostram que membros da campanha do presidente dos EUA, Donald Trump, tiveram contato repetidamente com serviços de inteligência da Rússia antes das eleições.

Segundo funcionários e ex-funcionários do governo, que pediram anonimato, os contatos foram feitos no mesmo momento em que eles descobriram que Moscou tentava influenciar a disputa presidencial americana. As fontes, no entanto, ainda não encontraram evidências de envolvimento da campanha de Trump no ataque aos computadores do Comitê Nacional do Partido Democrata.

As interceptações alarmaram as agências americanas em razão do número de contatos que ocorria enquanto Trump elogiava o presidente russo, Vladimir Putin. Em determinado momento, o magnata chegou a pedir que a Rússia roubasse e divulgasse os e-mails deletados da então candidata democrata à presidência, Hillary Clinton.

As conversas obtidas são diferentes das reveladas em 2016 entre o conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, e Serguei Kislyak, embaixador russo nos EUA, segundo o NYT. Durante as ligações, os dois homens discutiram sanções que o governo Obama impôs à Rússia em dezembro. Flynn mentiu para a Casa Branca sobre o contato com Moscou e foi convidado a renunciar na noite de segunda-feira.

O jornal relatou que autoridades disseram que as comunicações interceptadas não se limitam a autoridades da campanha de Trump e incluem outros associados do presidente. Do lado russo, os contatos também incluem membros do governo de fora dos serviços de inteligência, segundo os oficiais. Todas as atuais e ex-autoridades falaram em condição de anonimato porque a investigação em andamento é confidencial, explicou a publicação.

As autoridades disseram que um dos assessores descobertos nas ligações era Paul Manafort, que foi gerente da campanha de Trump por diversos meses em 2016 e trabalhou como consultor político na Rússia e Ucrânia.

Segundo o New York Times, pelo menos três pessoas - além de Flynn - estão envolvidas na comunicação com os russos: Paul Manafort, ex-chefe de campanha de Trump, Carter Page, ex-assessor de política externa, e Roger Stone, um estrategista republicano.

Resposta. O Kremlin informou nesta quarta-feira, 15, que a reportagem do NYT "não se baseia em quaisquer fatos". "Não acreditemos em informações anônimas", disse o porta-voz do governo russo, Dmitri Peskov, durante teleconferência com repórteres, destacando que as fontes do jornal não foram identificadas. 

Respondendo a um comunicado da Casa Branca que dizia que Trump esperava que a Rússia devolvesse a Crimeia à Ucrânia, Peskov disse que o Kremlin não tem intenção de discutir integridade territorial com parceiros estrangeiros. / REUTERS e NYT

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