REUTERS/Lionel Bonaventure
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Candidato centrista critica projeto econômico de Le Pen em debate pouco antes das eleições na França

Emmanuel Macron acusou candidata nacionalista de provocar uma ‘guerra econômica’ com a proposta de restabelecer a moeda nacional; pesquisas mostram que apenas um terço dos franceses é a favor de abandonar o euro

O Estado de S.Paulo

05 Abril 2017 | 15h39

PARIS - O candidato centrista Emmanuel Macron atacou na terça-feira o projeto econômico da ultradireitista Marine Le Pen em um inflamado debate televisionado, no qual a acusou de provocar uma "guerra econômica" a três semanas das eleições presidenciais mais incertas da história recente da França.

O debate, que reuniu os 11 candidatos que disputam a liderança do Palácio do Eliseu, adquiriu um interesse especial, já que um terço dos eleitores ainda não decidiu em quem irá votar. Praticamente empatados nas pesquisas de opinião com cerca de 25% das intenções de voto, Macron e Le Pen protagonizaram um confronto tenso sobre a saída da zona do euro prometida pela líder da extrema direita, caso chegue ao poder.

"O que você propõe, senhora Le Pen, é uma diminuição do poder aquisitivo dos franceses, porque é o que significará a saída (da zona) do euro para os economistas e para os trabalhadores", acusou Macron, candidato que defende o projeto europeu.

Para Marine Le Pen, o euro - que foi adotado como moeda única da União Europeia (UE) em 2002 - é o responsável pela perda do poder aquisitivo, pelo déficit comercial e pelo aumento dos preços na França. Além de "restabelecer a moeda nacional", a candidata propõe a convocação de um referendo para questionar o povo sobre a saída da França do bloco, o "Frexit", seguindo os passos do Reino Unido, que votou em 2016 a favor do Brexit.

"Não quero deixar que se instale uma espécie de falso debate entre aqueles e aquelas que protegem os franceses dizendo 'saiamos da União Europeia' e os demais, que são a favor de deixar que as coisas continuem como estão. A Europa protege", afirmou Macron, ex-ministro da Economia de Hollande.

François Fillon, o candidato do partido de direita Republicanos, que caiu nas pesquisas para o terceiro lugar (com 17% das intenções de voto), arrastado por um escândalo de supostos empregos fictícios pelo qual foi indiciado pela Justiça, atacou a "ausência" do programa econômico de Le Pen.

"Como todos sabemos, uma grande maioria dos franceses não quer abandonar a moeda europeia. Isto significa que, na realidade, a senhora Le Pen não tem uma política econômica", explicou o ex-primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy.

As pesquisas mostram que apenas um terço dos franceses é a favor de abandonar o euro. Muitos deles temem que a medida cause uma desvalorização da nova moeda nacional, o que afetará suas economias e aumentará a inflação.

O líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, admirador dos governos latino-americanos de inspiração bolivariana atacou o setor financeiro, e considerou que "deve devolver o dinheiro" e "financiar um retorno ao pleno emprego" na França, onde a taxa de desemprego está em torno de 10%.

Mélenchon está em quarto lugar nas intenções de voto (15%), superando o candidato do governista Partido Socialista, Benoît Hamon, que nas últimas semanas foi abandonado por importantes figuras do movimento.

Como era esperado, os mais beneficiados com o debate televisionado foram os seis candidatos menos conhecidos pelos franceses, que aproveitaram a ocasião para denunciar os "políticos corruptos" e um "sistema esgotado".

"Quero expressar a ira (...) contra os políticos corruptos, alguns nesta sala se reconhecerão", disse Philippe Poutou, candidato operário e líder do Novo Partido Anticapitalista (NPA), em referência a Fillon e a Le Pen, ambos acusados de corrupção.

O partido de Marine Le Pen, o Frente Nacional (FN), é alvo de várias acusações de corrupção. A Justiça abriu uma investigação preliminar em um caso de empregos supostamente fictícios no partido, três meses depois de começarem uma investigação por suspeitas similares contra eurodeputados do partido de extrema direita.

Cenário. A confusão causada pela configuração inédita do debate presidencial não modificou de forma significativa o cenário da campanha e não deixou claro se serviu para convencer os muitos indecisos tentados pela abstenção. Macron e Le Pen mantêm seus postos de favoritos para passar ao segundo turno, que será realizado no dia 7 de maio.

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Segundo destacaram alguns dos candidatos ao Palácio do Eliseu e os porta-vozes que reagiram nesta quarta-feira, 5, o debate de quase quatro horas transmitido pela televisão não contribuiu para mudar o panorama em razão da cacofonia de vozes muito variadas que, pelas regras de igualdade de tratamento, tiveram o mesmo tempo para falar, embora sua representatividade fosse mínima.

Hamon reconheceu à rádio France Culture que houve momentos "interessantes", mas considerou o debate "frustrante", porque saiu com a impressão de não ter podido tratar os temas com profundidade. / AFP e EFE

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