AFP PHOTO / Sebastien Bozon
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Candidato de esquerda radical na França critica jornalistas por perguntas sobre Venezuela

Jean-Luc Mélenchon qualificou de ‘abomináveis' as mortes registradas durantes os protestos contra o governo de Nicolás Maduro, mas não opinou se ele deve sair do poder

O Estado de S.Paulo

20 Abril 2017 | 13h20

PARIS - O candidato de esquerda radical à presidência da França, Jean-Luc Mélenchon, se mostrou irritado nesta quinta-feira, 20, em razão de algumas perguntas feitas por jornalistas sobre a Venezuela.

"Já basta desta espécie de dúvida que vocês tentam fazer pairar sobre mim", respondeu o candidato do movimento França Insubmissa. Ele havia sido questionado se apoia o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ou o regime sírio de Bashar Assad.

"Por que não me perguntam sobre o Bahrein? Sobre o Iêmen?", disse o candidato em uma entrevista à rede de televisão BFM. "Podem me explicar por que você e seus colegas (jornalistas), de todos os países, passam o dia perguntando a pessoas como eu, de minha família política, sobre Venezuela e Cuba? Por que nunca falam comigo sobre o Iêmen?", insistiu. "Não apoio nenhuma ditadura, em nenhum lugar do mundo."

O candidato explicou que, em certa época, falava muito sobre a Venezuela porque se interessava pela maneira como Hugo Chávez instalou, segundo ele, "um governo que compartilhava a receita petrolífera com o povo e os pobres". "Milhões de pessoas saíram da pobreza", afirmou.

Por sua vez, Mélenchon qualificou de "abominável" a morte de três pessoas na quarta-feira durante o dia de grandes mobilizações na Venezuela, mas não quis se pronunciar sobre se Maduro deve sair do poder, estimando que "são os venezuelanos que têm de responder a esta pergunta".

O candidato pediu ainda que a Venezuela liberte dois jornalistas franceses que viajaram ao país sul-americano para realizar uma reportagem e estão detidos desde 11 de abril. "Peço ao governo da Venezuela que liberte os dois jornalistas que estão hoje na prisão sob o pretexto de que levavam drogas, o que não acredito", disse Mélenchon. / AFP

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