Candidatos ´nanicos´ podem pesar nas eleições dos EUA

O sistema bipartidário americano não falha: todo mundo sabe que ou republicano George W. Bush ou o democrata John Kerry vai ocupar o Salão Oval da Casa Branca durante os próximos quatro anos. Curiosamente, no entanto, é muito fácil ser candidato à presidência dos Estados Unidos e diversos pequenos partidos - além de dezenas de independentes, às vezes concorrendo apenas em um Estado - também lançam seus nomes nas eleições. As chances de vitória são nulas, mas com a disputa apertada entre os dois grandes partidos, estes pequenos candidatos - em especial o ex-verde e hoje independente Ralph Nader - podem acabar influenciando o resultado final. Muitos democratas dizem que se no ano 2000 Ralph Nader não tivesse tirado votos do democrata Al Gore na Flórida, Bush não estaria hoje na Casa Branca. Interferência em Estados importantes Este ano, apesar dos insistentes pedidos de democratas e mesmo de muitos de seus simpatizantes para que não concorresse, Nader voltou à carga e está na cédula eleitoral em 34 estados. Nacionalmente, Ralph Nader não passa de 1% nas pesquisas eleitorais, mas chega a ter índices maiores, de até 2%, em Estados-chave, como a Flórida. Os eleitores de Nader - e também do Partido Verde - costumam se descrever como mais progressistas do que o Partido Democrata em geral e do que John Kerry em particular. Mas a repulsa ao presidente Bush está fazendo com que muitos destes eleitores deixem parte de seus princípios de lado e votem em Kerry. O candidato verde também ataca Kerry, que ele descreve como "vendido para as grandes corporações", mas diz que vai entender se seus eleitores, em Estados-chave, como o Ohio e a Flórida, votarem nos democratas, contra Bush. Libertários Embora o Partido Verde tenha ganhado grande destaque depois da candidatura de Ralph Nader no ano 2000, o terceiro maior partido americano é o Libertário, ainda infinitamente menor do que democratas ou republicanos. Os libertários têm cerca de 300 pessoas espalhadas em cargos eletivos locais pelos Estados Unidos. Para o Partido Libertário, quanto menos governo, melhor. Eles se opõem radicalmente a leis que regulem a vida do indivíduo, como as que proíbem o consumo de drogas ou obrigam o uso do cinto de segurança. Os libertários discordam da visão de um Estado forte na economia, que costuma ser defendida pelos liberais. Tradicionalmente, os libertários são vistos como mais próximos dos republicanos do que dos democratas, principalmente devido à identificação em relação à defesa de um estado mínimo. Mas as ações militares do presidente Bush no exterior e as investidas do governo contra alguns direitos civis e à privacidade - em nome do combate ao terrorismo - irritaram muitos destes libertários.

Agencia Estado,

26 Outubro 2004 | 11h40

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