Caracas anuncia chegada de alimentos do Brasil

A pouco mais de um mês das eleições parlamentares e em meio a uma severa crise de escassez de alimentos e remédios, chegaram ontem à Venezuela importados do Brasil 571 contêineres de alimentos, informou a Autoridade Portuária Venezuelana (Bolipuertos).

CARACAS, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2015 | 02h04

As cargas totalizam 250 mil toneladas de alimentos de primeira necessidade, principalmente arroz, frango, leite e margarina. "Entre as mercadorias que chegaram a Puerto Cabello, (vindas) da República Federativa do Brasil, estão 3 contêineres de arroz, 83 de leite, 44 de margarina, 205 de carne e 205 de frango", disse a Bolipuerto em nota.

A carga foi entregue aos cuidados da Corporação de Abastecimento Agrícola (Casa) e ao Ministério de Alimentação, que serão responsáveis por enviar a carga a mercados estatais. "É importante destacar que na primeira metade de outubro 201 mil toneladas de alimentos foram entregues ao Ministério da Alimentação para a distribuição equitativa delas em nível nacional", acrescenta a nota.

Analistas e fontes próximas ao chavismo esperam que o governo tente mitigar os efeitos da crise às vésperas da eleição com venda de alimentos subsidiados como maneira de melhorar a baixa popularidade do governo, afetada pela inflação, estimada em 200% este ano, e uma queda de 10% no PIB.

No meio do ano, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, esteve no Brasil e se reuniu com representantes dos setores alimentício e farmacêutico, além de líderes do governo e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Operação. Além da importação de alimentos, o governo venezuelano anunciou ontem que elaborará um plano para evitar o comércio online de produtos básicos. Segundo a Superintendência Nacional de Defesa do Consumidor (Sundde), contrabandistas usam a internet para vender produtos em falta com sobrepreço.

"Não há problemas em vender produtos na internet, mas faço um chamado para que não vendam produtos com preços inflados, porque isso é especulação", disse ao canal de TV Globovisión o diretor da Sundde, Cesar Ferrer.

Na terça-feira, entrou em vigor uma revisão da Lei de Preços Justos, que estipula um teto de lucro para bens e serviços: 20% para importadores e 30% para produtores nacionais.

"Em alguns centros comerciais, já vejo uma tendência de reversão nos preços de roupas, eletrodomésticos e outros bens", acrescentou Ferrer. / EFE

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