Caracas dá início a programa de racionamento de água

Diversos distritos da cidade ficarão sem água até 48 horas nos próximos 7 dias; medida visa lidar com déficit hídrico.

BBC Brasil, BBC

02 Novembro 2009 | 23h03

O governo da Venezuela iniciou, nesta segunda-feira, um programa de racionamento de água na capital, Caracas.

Diversos distritos da cidade ficarão 48 horas sem água na próxima semana.

A medida é uma tentativa de lidar com o déficit hídrico de 25% e deve permanecer em vigor por seis meses, até o retorno da estacão de chuvas no país.

Segundo o presidente, Hugo Chávez, as fontes que fornecem a água para a capital registram níveis historicamente baixos por conta do clima seco dos últimos meses. Chávez responsabiliza os efeitos climáticos do fenômeno El Niño pela estacão seca e a consequente falta de água nos reservatórios que abastecem Caracas.

Na última semana, Chávez pediu aos venezuelanos que parassem de "cantar no chuveiro" e não tomassem banhos de mais de três minutos.

Investimento

Mas, de acordo com o correspondente da BBC em Caracas Will Grant, os críticos do governo afirmam que o problema das secas foi exacerbado pela "falta de investimento crônica" em sistemas de abastecimento e tratamento de água e aquedutos.

Segundo o presidente do Instituto Municipal de Águas de Sucre (Imas), o oposicionista Norberto Bausson, os problemas acontecem em Caracas porque o sistema de abastecimento de água não cresceu na mesma proporção que a cidade nos últimos dez anos.

"Não se construiu nada na última década nem se tomaram medidas para reduzir a demanda, porque temos um déficit de 2 mil a 4 mil litros por segundo", disse ele à BBC Mundo.

De acordo com Grant, há preocupação sobre o impacto do racionamento nos bairros mais pobres da cidade, já que muitos deles são dependentes de suprimentos de água potável de emergência, fornecido em caminhões-pipa a cada onze dias.

* Com informações de Anahí Aradas, da BBC Mundo em Caracas BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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