Carta mostra que Bento XVI resistiu a demitir padre pedófilo nos EUA

Carta mostra que Bento XVI resistiu a demitir padre pedófilo nos EUA

Documento de 1985 cita preocupações de Ratzinger com efeito da remoção de religioso

AE-AP, Agência Estado

09 Abril 2010 | 14h48

Documentos da Igreja Católica mostram que, antes de se tornar papa, o cardeal Joseph Ratzinger resistiu a afastar um padre da Califórnia que molestava crianças.

 

Uma carta de 1985, firmada por Ratzinger, cita preocupações sobre o efeito da remoção do padre para "o bem da igreja universal". A correspondência foi obtida com exclusividade pela Associated Press.

Esta é a segunda prova a desafiar a insistência do Vaticano em afirmar que Ratzinger, hoje papa Bento XVI, não teve qualquer papel no bloqueio de remoções de padres pedófilos enquanto era o chefe da Congregação para a Doutrina da Fé.

A carta é parte de anos de correspondência entre a diocese de Oakland, nos Estados Unidos, e o Vaticano sobre o processo para tentar afastar o reverendo Stephen Kiesle. O Vaticano confirmou que a assinatura no documento é de Ratzinger, mas não quis comentar o caso.

 

A diocese recomendou a demissão de Kiesle do sacerdócio em 1981, no ano em que Ratzinger foi indicado para liderar o escritório do Vaticano que tinha responsabilidade de disciplinar padres que cometiam abusos.

 

O caso percorreu o Vaticano por quatro anos até Ratzinger finalmente escrever a carta ao bispo de Oakland, John Cummins. Kiesle continuou a fazer trabalho voluntário com crianças por dois anos antes de ser removido da igreja.

 

Na carta, Ratzinger afirma que os argumentos para remover Kiesle são de "grave insignificância", e pediu ao bispo que acolhesse o padre com "o maior carinho paternal possível" enquanto aguardasse a decisão.

 

Kiesle foi sentenciado em 1978 a três anos de provação por não ter contestado acusações de conduta libidinosa por molestar dois meninos em São Francisco.

 

Em 1981, quando sua provação terminou, ele pediu para deixar o sacerdócio e a diocese submeteu documentos a Roma para excomungá-lo.

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