EFE/Jim Lo Scalzo
EFE/Jim Lo Scalzo

Porta-voz da Casa Branca comete gafe e diz que nem Hitler usou armas químicas como Assad

Sean Spicer ignorou o uso de câmaras de gás para o assassinato de judeus durante a 2.ª Guerra e precisou divulgar uma nota de esclarecimento

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

11 Abril 2017 | 17h34

WASHINGTON - Na tentativa de justificar o ataque da semana passada dos EUA contra a Síria, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, comparou nesta terça-feira, 11, Bashar Assad a Adolf Hitler e disse que nem mesmo o "desprezível" líder nazista utilizou armas químicas "contra seu próprio povo", declaração que ignorou o uso de câmaras de gás para assassinato em massa de judeus durante a 2.ª Guerra.

Spicer só fez referência ao Holocausto quando uma repórter que participava do briefing diário com a imprensa o questionou sobre a comparação. Claramente constrangido, o porta-voz deu uma resposta que o colocou em uma posição ainda mais delicada. "Quando se trata de gás sarin, ele (Hitler) não estava usando o gás contra seu próprio povo da mesma maneira em que Assad está usando." Em seguida, outro escorregão: em vez de se referir a campos de concentração, ele usou a expressão "centros do Holocausto".

Em vez do gás sarin, Hitler usou o agente químico Zyklon-B para matar milhões de pessoas durante a guerra. As declarações de Spicer provocaram manifestações de descrédito dos jornalistas na sala de briefing e incendiaram as redes sociais. "Sean Spicer" se tornou o tema mais comentado no Twitter em questão de minutos. 

No esforço de reduzir o estrago, o porta-voz divulgou uma nota na qual tentou colocar suas afirmações em contexto. "De nenhuma maneira eu estava tentando diminuir a natureza horrenda do Holocausto. Eu estava tentando fazer uma distinção entre a tática de usar aviões para jogar armas químicas em centros populacionais. Qualquer ataque em pessoas inocentes é repreensível e indesculpável."

Logo depois das declarações de Spicer, o Museu do Holocausto tuitou um vídeo sob o título "Imagem de nossa coleção mostra o que as forças dos EUA encontraram quando libertaram #Buchenwald", referência a um dos campos de concentração na Alemanha. O vídeo mostra pilhas de corpos e adultos e crianças esquálidos.

Também no Twitter, o jornal israelense Haaretz usou a expressão "Sean Spicer, FYI (para sua informação)" acima de uma foto de pessoas mortas e um texto sobre o homem que criou armas químicas, entre as quais o Zyklon-B, usado nas câmaras de gás.

Com seu estilo truculento e algumas vezes desinformado, Spicer se tornou o principal alvo no gabinete de Trump de comediantes americanos. A atriz Melissa McCarthy realiza a mais bem sucedida interpretação do porta-voz no Saturday Night Live, na qual fala em um tom estridente e avança sobre repórteres com o pódio da sala de briefing.

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