Al Drago/The New York Times
Al Drago/The New York Times

Casa Branca radicaliza guerra à mídia ao excluir ‘NYT’ e CNN de entrevista

Veículos sofrem represálias por críticas ao presidente; na quinta-feira, reportagem da emissora de TV revelou que FBI havia rejeitado pressão de Trump para desmentir relatos de contatos entre assessores e agentes russos durante a campanha eleitoral

Cláudia Trevisan / Correspondente, Washington, O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2017 | 16h22
Atualizado 24 Fevereiro 2017 | 20h56

A Casa Branca barrou nesta sexta-feira, 24, o New York Times, a CNN e outros três veículos de um briefing com o porta-voz Sean Spicer. Ao mesmo tempo, permitiu a participação de organizações menores simpáticas ao governo Donald Trump, entre as quais o site de extrema direita Breitbart. 

 A exclusão ocorreu poucas horas depois de o presidente americano lançar um novo ataque à imprensa em um discurso a integrantes da ala conservadora do Partido Republicano. Trump reiterou a acusação de que a mídia tradicional – à qual se refere como a ‘mídia das falsas notícias’ – é inimiga do povo americano.

“Nada parecido a isso aconteceu na Casa Branca em nossa longa história de cobertura de múltiplas administrações de diferentes partidos”, disse em nota o editor-executivo do New York Times, Dean Baquet. “Livre acesso da mídia a um governo transparente é obviamente de crucial interesse nacional.”

A CNN foi a única grande rede de TV barrada no briefing, que teve participação de repórteres da ABC, CBS NBC e Fox News. Na quinta-feira, reportagem da emissora disse que o FBI havia rejeitado pressão da Casa Branca para desmentir relatos da imprensa de que pessoas ligadas a Trump tiveram contatos com integrantes dos serviços de inteligência russo durante a campanha eleitoral do ano passado. 

O movimento violou regra que proíbe comunicação da administração com a polícia federal americana quando há uma investigação em andamento –o FBI analisa se Moscou interferiu na disputa presidencial entre Trump e a democrata Hillary Clinton.

A CNN divulgou uma nota em protesto contra a exclusão de seus jornalistas do briefing. “Aparentemente é assim que eles retaliam quando reportamos fatos que não os agradam.”

A Casa Branca negou que tenha havido uma ordem deliberada para impedir a entrada de alguns veículos no briefing de ontem, que ocorreu na sala de Spicer e não foi transmitido ao vivo. Segundo Sarah Sanders, o encontro havia sido planejado para o “pool” de jornalistas – um pequeno grupo formado na base de rodízio que representa todos os credenciados na Casa Branca e têm a responsabilidade de compartilhar com os demais as informações que recebe. “Nós decidimos adicionar umas pessoas além do pool, nada mais do que isso”, disse Sanders, que também atua como porta-voz.

“Estava claro que eles permitiram a entrada de veículos com menos alcance que são simpáticos a Trump”, disse o repórter do Los Angeles Times Noah Bierman, que foi impedido de participar da entrevista. Jornalistas da revista Time e da Associated Press decidiram não participar do briefing de Spicer em protesto contra a ação da Casa Branca. 

Porta-voz do Wall Street Journal disse à CNN que a publicação se opõe à exclusão de veículos do evento de hoje. “Se soubéssemos no momento nós não teríamos participado e não participaremos no futuro desse tipo de briefing fechado.” Os que estiveram presentes disseram que nenhuma informação relevante foi dada durante o encontro.

 

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